O consórcio liderado pelos coreanos, forte candidato a levar a concessão do trem-bala brasileiro, já conta com a participação de 20 companhias, sendo 10 brasileiras e 10 estrangeiras. Segundo informações do mercado, entre as companhias nacionais estão as construtoras Contern (do Grupo Bertin), Galvão Engenharia, Carioca, Constran, S.A. Paulista, Toniolo e CR Almeida.
Do lado coreano, além das empresas Korea Rail Network Authority, Korail e KRRI, núcleo do consórcio, gigantes como Hyundai, Daewoo e Daelim também estão entre os sócios, segundo fontes. A Samsung poderá integrar o grupo, mas tem demonstrado resistência ao projeto.
O Trem de Alta Velocidade (TAV) vai ligar Campinas, São Paulo e Rio e custará cerca de R$ 33 bilhões, sendo R$ 20 bilhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A exemplo do ocorrido no leilão da Hidrelétrica de Belo Monte, o vencedor do trem-bala deverá ter a presença garantida dos fundos de pensão no projeto. Especula-se que a participação deles poderá ficar entre 20% e 30% do capital próprio do consórcio.
A entrega da proposta financeira será feita na segunda-feira e a abertura dos envelopes, dia 16 de dezembro. A esperança dos concorrentes, porém, é que o governo adie a licitação por, pelo menos, seis meses. Mas, até sexta-feira passada, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Ministério dos Transportes não davam nenhuma indicação de que atenderiam os pedidos dos investidores.
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Na semana passada, todos os possíveis interessados foram convidados a participar de reunião no BNDES com a presença do Ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e o diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo. A maioria pediu que a processo fosse adiado. Eles argumentam que há muitas incertezas no projeto e precisam de mais tempo para elaborar melhor as propostas.
“A cada dia aparece uma informação nova que exige mudanças na modelagem financeira. Isso não se faz de uma hora pra outra”, afirmou um fabricante, que tem discutido parceria com vários construtores nacionais. “O problema é que eles também estão temerários. Não consigo entrar se não tiver construtor. Eles respondem por 85% do projeto.”
Na corrida pelos estudos mais completos, os coreanos saem na frente. Eles estão há quase dois anos avaliando todos os dados do trem-bala brasileiro e fazendo novos traçados para amenizar os riscos. Para os concorrentes, a intolerância do governo em manter a data de licitação pode entregar o projeto, sem competição, para os coreanos.
“Todos sabiam o que estava ocorrendo. Não há nenhuma surpresa em relação às datas”, diz Figueiredo. Segundo ele, uma das divergências entre empresas e governo é que alguns consórcios não aceitam fazer a transferência da tecnologia, uma exigência prevista no edital. “Fomos até onde podíamos ir para dar condições ao projeto.”
FICHA TÉCNICA
O primeiro trem-bala brasileiro vai ligar Campinas, São Paulo e Rio
Distância 511 km
Investimento R$ 33,4 bilhões
Velocidade até 350 km/h
Municípios atingidos – 38 cidades
Tempo de viagem – sem parada 1h33m
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