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Knorr-Brense busca o equilíbrio entre caminhões e trens

Com um pé no segmento rodoviário e outro no segmento ferroviário, a multinacional alemã Knorr-Brense, fabricante de freios, está ao mesmo tempo apostando no Brasil e se protegendo contra oscilações dos mercados em que atua.


Nesta semana, a subsidiária brasileira inaugura sua nova unidade, em Itupeva (SP), onde foram investidos R$ 100 milhões. A fábrica foi instalada com um novo sistema logístico e uma produção mais automatizada, o que proporcionará mais agilidade para adequar a produção às variações na demanda, informou o presidente da empresa na América Latina, Oliver Erxleben, em entrevista ao Valor. A fábrica antiga ficava no bairro de Santo Amaro, na zona sul da capital paulista.


No ano passado, a empresa teve uma queda de vendas para o segmento de caminhões, principalmente devido à retração no setor em virtude de uma mudança na regulamentação de emissões de poluentes. Já neste ano, é o mercado de conjuntos de freios para vagões de carga, segundo o executivo, que não dá indicações de crescimento.


“A nova fábrica foi feita de forma a flexibilizar ainda mais a nossa produção, podemos passar de dez peças por hora a vinte peças por hora rapidamente”, explicou o diretor de operações rodoviárias da companhia, Wilson Câmara Junior.

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O presidente admitiu que a queda da demanda por freios para vagões de carga, da ordem de 25% em relação ao ano passado, surpreendeu, mas disse que não abalou os planos. “Em 2013, a recuperação dos caminhões está mais que compensando a queda em vagões; estamos bem confiantes no nosso futuro no Brasil”, disse Erxleben.


A companhia também atende ao segmento de trens de passageiros, principalmente sistemas de metrô, trens metropolitanos e monotrilho. Segundo Erxleben, esse mercado tem ficado estável e tem boas perspectivas. Um projeto que está na mira da empresa é uma licitação de recondicionamento de vagões da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que a empresa acredita acontecerá ainda neste primeiro semestre.


Atualmente, como em outros países em desenvolvimento, a receita da Knorr-Bremse no Brasil é majoritariamente (65%) de freios para caminhões e ônibus. A empresa, porém, acredita no potencial do setor ferroviário. Para o presidente, as vendas podem se equilibrar nos dois segmentos daqui a dez anos. “Precisa ter um incentivo maior do governo, mas os projetos no médio prazo, do PAC, do trem-bala, de trens de passageiros, poderão aquecer bem a produção local”, afirmou o presidente.


A nacionalização é uma estratégia importante. Segundo os executivos, fica na faixa de 60% para os produtos obterem acesso à linha de financiamento subsidiada Finame, do BNDES. Contudo, manter a importação de certos componentes e de matéria-prima, como o aço, é estratégia fundamental para manter a competitividade, relatam.


Com toda a produção transferida da capital paulista para Itupeva, a empresa mais que dobrou sua capacidade produtiva nos diferentes segmentos. Nas novas instalações, a empresa consegue equipar até mil vagões de carga por mês. “Estamos preparados para a demanda dos próximos dez ou quinze anos”, afirmou o presidente.


A Knorr-Bremse é fornecedora de montadoras como Mercedes Benz, MAN, Scania e Ford, e no segmento ferroviário atende à Vale, à CAF e à Alstom, entre outras. O faturamento global da empresa, no ano passado, foi de € 4,2 bilhões (cerca de R$ 10,8 bilhões). No Brasil, as vendas foram de R$ 400 milhões. Este ano, segundo o presidente, o resultado deve ficar estável ou apresentar baixo crescimento em relação a 2012, mas, para o ano que vem, a meta é alcançar R$ 500 milhões no país.

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