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A engenharia brasileira na Era do TAV

Ao que tudo indica, mais um antigo plano brasileiro está prestes a se concretizar: o Trem de Alta Velocidade. Inicialmente ligando São Paulo ao Rio de Janeiro e a Campinas, a tendência é que, após uma rápida fase de adaptação às condições locais e do aprendizado de todos os envolvidos no projeto, este tipo de transporte se expanda ainda nesta década, alcançando vários outros importantes centros regionais e aproximando mais as pessoas e empresas brasileiras em seu cotidiano.


O aumento do número de ligações ferroviárias, sejam de média ou de alta velocidade, é um caminho natural para a continuação do crescimento econômico de países maduros. A chegada desta nova rede de transportes ao Brasil possibilita este impulso de crescimento e alivia a infraestrutura existente. Além disso, viabiliza mercados e negócios, que até então ainda não eram possíveis ou não eram atrativos e, consequentemente, gera novas oportunidades, empregos e uma utilização mais inteligente dos recursos em todo o seu entorno.


É fácil observar isso, ao verificar os resultados alcançados por diversos países bem-sucedidos na economia mundial. França, Alemanha, Itália, Espanha, Japão, China, Coréia do Sul e tantos outros têm, sucessivamente, encontrado nos sistemas ferroviários de média e alta velocidades as soluções para seus problemas de mobilidade e acessibilidade. Para estes países, tomar esta decisão foi uma consequência natural de seu crescimento. Foi o adensamento urbano, a reorganização das regiões, assim como o aumento na qualidade de vida das pessoas, o que levou estes países a se decidirem por esta solução. Hoje sua economia não está mais refém da infraestrutura, pois sua matriz de transportes é equilibrada.


Sabemos que muitos países seguirão este caminho e o Brasil, pelos mesmos motivos, está naturalmente entre eles. O mercado brasileiro está maduro, a política é estável há vários anos e a economia cresce, mesmo em tempos difíceis. A necessidade de novas conexões rápidas entre as metrópoles brasileiras se torna cada dia mais evidente.

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O projeto do Trem de Alta Velocidade brasileiro tornou-se um objetivo atingível, e já é desejado e perseguido por diversos segmentos da sociedade. É só uma questão de tempo para se concretizar. Indústria, comércio e governo procuram por caminhos há vários anos, e agora trabalham para sua rápida execução.


Como em tantos outros momentos históricos, a engenharia brasileira terá um papel central para a concretização e expansão desta nova rede de transportes. O modelo escolhido pelo governo, visando à implantação do primeiro trecho, prima por uma tarifa acessível, pela nacionalização da tecnologia e da fabricação do trem e por uma construção rápida. Porém, o possível traçado da linha contém grandes desafios à engenharia, pois há três regiões metropolitanas a serem conectadas, serras íngremes para vencer e vales povoados a atender – tudo em alta velocidade!


Haverá verdadeiras batalhas nos campos da engenharia civil, elétrica, informática e telecomunicações, além de inovações na administração e finanças deste empreendimento.


Felizmente, a engenharia brasileira já enfrentou desafios tão grandes quanto este em meados do século 19, quando as primeiras ligações ferroviárias foram colocadas em operação, e não teme o desafio atual. Porém, a implantação desta nova tecnologia, nestas condições tão especiais, não será nada trivial.


Objetivando uma rápida aquisição do conhecimento e sua retenção para a futura expansão desta rede, o modelo de concessão da nova ferrovia prevê a transferência de tecnologia pelos países interessados para o Brasil. Serão necessárias centenas de novos profissionais competentes, assim como o acesso à competência já existente, o que faz este tema ser, no mínimo, muito interessante para todos.


Também a discussão sobre a integração entre os sistemas ferroviário, rodoviário e aéreo está neste contexto e é importantíssima para o Brasil, pois vai contribuir com conceitos que mudarão o futuro da mobilidade brasileira.


Por isso, o Congresso SAE BRASIL 2010, que será realizado de 5 a 7 de outubro, estará enfocando, entre outros temas, esta importante alternativa de mobilidade para o Brasil. Em uma visão global, este ano o congresso irá explorar as competências da engenharia brasileira para a mobilidade do futuro e formas para expandi-la nos próximos anos.


*Peter Andreas Gölitz é diretor do Comitê Ferroviário do Congresso SAE BRASIL 2010.

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Fonte: Opinião

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