A empreiteira Converd, empresa terceirizada pela Novoeste para fazer manutenção nos trilhos da ferrovia na região de Aquidauana, está sendo acusada de cometer uma série de irregularidades ao alojar 25 trabalhadores na Estação do Cachoeirão, prédio abandonado desde a privatização da RFFSA (Rede Ferroviária Federal/SA). A denúncia é do Sindicato dos Ferroviários de Mato Grosso do Sul que foi informado do estado precário do local onde dormem os ferroviários.
Segundo apurou o sindicato, os operários, que trabalham na troca de dormentes no trecho entre Cachoeirão e o distrito de Palmeiras, estão dormindo em beliches amontoadas em quatro salas da velha estação, distante 80 quilômetros de Aquidauana. Este alojamento é extremamente precário. Se a segurança da medicina do trabalho vier aqui vai interditar o local na mesma hora, disse o diretor do sindicato, Roberto Mendes Teixeira.
O Correio do Estado acompanhou a vistoria feita por uma equipe do sindicato. Entre os problemas verificados está a precariedade na estrutura sanitária. Só existe um banheiro para atender a 25 homens. Isso contraria todas as normas legais. Se for aplicar a legalidade, isso aqui está condenado, alerta o sindicalista ao observar a falta de ventilação nos quartos.
Por causa do pouco espaço, um dos ferroviários está abrigado fora da casa. O trabalhador dorme sem qualquer tipo de proteção numa cama montada ao lado de tanques de roupas, numa varanda também em estado precário. Operários que já retornavam do trecho preferiram não comentar a situação, uma vez que dependem do emprego.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
Fiscalização
Sobre os procedimentos adotados, Roberto informou que já havia denunciado o caso à DRT (Delegacia Regional do Trabalho) de Campo Grande. Inclusive solicitamos a presença de um fiscal da DRT para fazer a autuação, mas infelizmente não foi possível o deslocamento da fiscalização até aqui, afirmou.
Conforme o sindicalista, a DRT não encaminhou fiscais ao local por causa da falta de funcionários. É a conseqüência de um quadro reduzido de fiscais na DRT, lamentou.
Terceirização
Os ferroviários entraram numa luta para derrubar a iniciativa da Novoeste e manter empresas terceirizadas nos serviços ferroviários. As empreiteiras não resguardam o direito do trabalhador. Temos feito uma série de denúncias sobre abusos trabalhistas, comentou Roberto Mendes.
Para o diretor do sindicato na região de Aquidauana, Manoel Vieira, a redução de homens trabalhando na estrada é a principal responsável pelos constantes acidentes na ferrovia. A Rede Ferroviária mantinha 650 trabalhadores para dar manutenção neste mesmo trecho em que hoje a empreiteira coloca 25 homens para trabalhar. O resultado é o perigo constante que correm as composições que ainda trafegam nesta linha sucateada, criticou Vieira.
Seja o primeiro a comentar