Se depender de recursos financeiros federais, as obras do Metrô de Fortaleza (Metrofor) não mais sofrerão problemas de continuidade. A garantia foi dada ontem, pelo novo presidente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), Elionaldo Magalhães, que se encontra em Fortaleza, em visita às obras de construção do Metrofor e discutindo, com a direção do metrô, formas para dinamizar os trabalhos e garantir a conclusão até 2010 — ano de eleições majoritárias.
´É só executar a obra, medir e mandar a conta que a gente paga´, assegurou Magalhães, ao garantir contrapartida Federal da ordem de R$ 505,9 milhões, sendo R$ 104,1 milhões para 2008, R$ 362,3 milhões, para 2009 e R$ 39,4 milhões, para 2010. ´Esses recursos são do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e não sofrerão contingenciamento´, asseverou o executivo da CBTU.
Para as obras em execução até agosto próximo, o Metrofor tem em caixa R$ 68 milhões, além de outros R$ 58,1 milhões, previstos de financiamentos estaduais, junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). ´Esses recursos (R$ 68 milhões) garantem o fluxo tranqüilo das obras até agosto´, confirmou o presidente do Metrofor, Rômulo Fortes.
´Na hora em que (o Estado) prestar conta dessas despesas, recebe a diferença´, declarou o presidente da CBTU, no final da tarde de ontem, em Fortaleza. ´Precisamos dessa obra pronta até 2010´, acrescentou.
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Em queda
Enquanto o metrô não entra nos trilhos, grande parte da população da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), notadamente a mais carente, está andando cada vez menos de trem e, creiam, preferindo andar a pé. De 2002, ano em que os trens metropolitanos de Fortaleza passaram da administração da CBTU para o Metrofor, o número de pessoas transportadas passou de 8,78 milhões, para 6,27 milhões, em dezembro do ano passado.
Os números mostram uma queda de 28,64% no contigente de passageiros transportados, nos últimos seis anos. O recuo decorre, segundo servidores do próprio Metrofor, da queda na qualidade dos serviços, da elevação nos preços das passagens e do sucateamento dos carros (vagões) e locomotivas, popularmente chamados de ´ trens da África´, pelo fortalezense.
Segundo o presidente do Metrofor, Rômulo Fortes, a redução no número de passageiros ocorreu em todos os modais de transportes. Ele justifica no entanto, que o incremento no preço das passagens — sem a melhoria nos serviços — teria afastado o passageiro, fazendo-o a optar por andar a pé. Em 2007, confirma o porta-voz do Metrofor, Fernando Mota, não houve investimentos nos trens. Ele disse no entanto, que em 2006, foram reformados seis carros e duas locomotivas e para este ano, estão previstas recuperação de mais 13 carros e aquisição de seis VLTs (veículosleves sobre trilhos), com quatro vagões cada um.
Subsídio
Além da melhoria dos serviços, Fortes explica que a redução recente nos preços da passagens ferroviárias, de R$ 1,30 para R$ 1,00, tem o objetivo de atrair o passageiro e tentar reverter o quadro. Nesse esforço, a CBTU deverá contribuir com subsídio de R$ 33 milhões, divididos em três parcelas anuais e iguais.
De acordo com Fortes, os recursos irão ajudar no custeio operacional (pagamento de pessoal e aluguel de locomotivas) do sistema de trens urbanos da RMF.
Visita a obras
A visita de Magalhães à Capital cearense, como novo titular da CBTU, foi iniciada pelas obras de superfície e elevados das estações da Parangaba, de São Benedito, Benfica e Lagoinha, ao lado do Beco da Poeira, no Centro.
´Pelas informações que recebi da direção do Metrofor, as obras estão dentro do cronograma´, disse Magalhães, sem emitir opinião sobre o que viu.
´Estamos aqui para estudar o que pode ser feito para dar nova dinâmica às obras´, comentou Magalhães. Hoje, eles visitarão as obras da Estação Vila das Flores, em Maracanaú e a linha férrea Oeste, que liga Fortaleza a Caucaia.
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