Ruralistas mantiveram ontem em vários pontos do país os protestos contra a política agrícola e econômica do governo federal, batizados de “Grito do Ipiranga”. O movimento se iniciou no Mato Grosso e já se estendeu a Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Estados do Nordeste. Em vários locais, rodovias permanecem bloqueadas. Em Alagoas, o desbloqueio de um trecho da BR-101 ocorreu por ordem judicial e resultou na morte de uma pessoa.
No interior de São Paulo, os agricultores fizeram o enterro simbólico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A “cerimônia” ocorreu no final da manhã no km 544 da rodovia Raposo Tavares.
Promovido por sindicatos rurais do oeste paulista, o ato contou com apoio da União Democrática Ruralista (UDR) e da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo.
A ALL (América Latina Logística) pediu ontem a intervenção da Polícia Federal para desobstruir os trechos do ramal ferroviário tomados por tratores no norte e no noroeste do Paraná. A empresa diz que perde por dia R$ 1 milhão com o protesto dos agricultores e que vai acionar na Justiça os responsáveis pelos prejuízos.
Ontem, 245 tratores eram mantidos na cidade de Maringá (428 km de Curitiba). Dezenas deles foram estacionados sobre a linha do trem para impedir o transporte de grãos para o porto de Paranaguá. A Justiça determinou a reintegração de posse, mas os agricultores desobedeceram.
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Além de provocar a morte de uma pessoa, a desobstrução do bloqueio na BR-101, na divisa entre Alagoas e Sergipe, deixou outra ferida. Os cerca de 1.200 manifestantes, que ocupavam a rodovia na altura do km 248, desde às 20h de segunda, liberaram a pista às 4h30 de ontem, quando receberam uma ordem judicial.
No momento da desocupação da estrada, um caminhão deu uma freada busca e outras três carretas colidiram. O caminhoneiro Gonçalo Sampaio, 55, que estava na segunda carreta, morreu na hora do choque. Outro caminhoneiro apresentou lesões graves. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os manifestantes saíram de maneira pacífica.
Cerca de 400 produtores rurais de Rio Verde (243 km de Goiânia) aderiram ao movimento em Goiás nas BRs 452 e 060 e rodovia estadual GO-174. Em Mato Grosso do Sul, 22 agências fazendárias e 16 escritórios do Iagro (Agência de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) foram liberados em razão de uma decisão judicial.
Agora, os manifestantes aguardam a apreciação da Medida Provisória 285 pelo Congresso.
A MP 285 limita as renegociações aos produtores com dívida original de até R$ 50 mil e que não participaram de outros refinanciamentos. Ela foi editada para compensar o veto do presidente Lula ao projeto de lei que dava aos agricultores nordestinos um prazo de 25 anos para quitar as dívidas de crédito rural.
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