Um dia depois da grande mobilização nacional contra a crise de renda que atinge a maior parte do agronegócio, especialmente o setor de grãos, os produtores paranaenses resolveram esticar o protesto ontem. Durante o dia, mantiveram tratores e colheitadeiras bloqueando trechos de 47 rodovias do estado, a maior parte na região de Maringá (Noroeste). No início da noite, esse número havia caído para 25 pontos.
Os produtores rurais cobram do governo federal o alongamento dos prazos de pagamento das dívidas antigas, que alegam não ter condições de pagar por causa do real valorizado, que prejudica as exportações, da seca e da alta nos custos dos insumos. Pesquisa da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) apontou que mais de 72% dos agricultores paranaenses se declaram sem dinheiro para pagar, total ou parcialmente, suas dívidas.
Até então restrito aos representantes da agricultura empresarial, mais atingidos pela crise, o protesto chegou aos pequenos produtores. Os fumicultores da região de Mallet (Sul), impedem o trânsito de caminhões na PR-153 desde a noite de terça-feira. Cerca de 300 produtores se concentraram no trevo de acesso a Mallet, com tratores e 20 caminhões, carregados com 500 toneladas de fumo. Foram levantadas três reivindicações: aquisição de toda safra; preços maiores e revisão do custo dos insumos.
Cerca de 1,2 mil agricultores familiares de dez municípios do Centro-Sul se reuniram em São Mateus do Sul. Das 9 às 16 horas, o trânsito ficou impedido nas rodovias que dão acesso a Curitiba, União da Vitória e Palmeira.
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Aproximadamente dez pontos nas rodovias BR-369 e BR-376, nas regiões Norte e Noroeste, permaneceram bloqueados. Em cidades como Maringá, Nova Esperança, Arapongas, Peabiru e Juranda ainda aconteciam, no final da tarde, manifestações dos agricultores contra a crise.
Na região de Umuarama, os bloqueios atingiram a rodovia PR-323, em Iporã, e a BR-163, via de acesso à ponte Ayrton Senna, em Guaíra. Na ponte, sobre o Rio Paraná, que liga o estado a Mato Grosso do Sul, o tráfego ficou fechado entre as 7 e as 17 horas. Os carros de passeio puderam seguir viagem pelas balsas que fazem a travessia entre Guaíra e Salto del Guairá, no Paraguai, pelo rio Paraná, onde se formaram longas filas.
A América Latina Logística (ALL) informou, no final da tarde, que todas as ferrovias foram desbloqueadas no estado. Na manhã de ontem, permaneciam bloqueadas trechos nas regiões de Ibiporã, Apucarana e Jataizinho. Negociações com acompanhamento policial definiram pela retiradas dos tratores das linhas férreas.
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