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Azul estréia balanço da Serra Verde Express

Depois de nove anos de prejuízos, a Serra Verde Express, empresa que opera a linha ferroviária de turismo de Curitiba a Morretes e Paranaguá, no litoral do Paraná, deve fechar 2006 com o primeiro lucro desde que assumiu a concessão, em 1997. Após um processo de reestruturação – que incluiu a saída de dois dos três sócios que faziam parte do consórcio original e investimentos de R$ 10 milhões – a empresa espera crescer 10% em 2006. “No ano passado tivemos ainda um prejuízo de R$ 400 mil, mas em 2006 deveremos consolidar a operação com o primeiro resultado no azul”, diz Adonai Aires de Arruda, presidente da concessionária e do grupo HigiServ que controla a empresa.


O grupo assumiu o controle da Serra Verde em 2000, depois do fim da parceria com os outros dois sócios – Impex Sul e Região Sul Turismo – que compunham originalmente o consórcio Pontal do Paraná, que venceu a licitação para operar o trecho. Cada sócio detinha, na época, 33% de participação. Inicialmente a idéia da HigiServ, segundo Arruda, especializada em limpeza e conservação, era participar apenas da contratação, gestão da mão-de-obra e na higienização dos vagões do trem de passageiros e das litorinas. Os demais sócios ficariam com a operação turística e com a manutenção mecânica das máquinas.


A demora no retorno dos investimentos, contudo, provocou desentendimentos e uma disputa judicial com um dos sócios, o que levou a HigiServ a comprar a parte dos demais parceiros. “De lá para cá conseguimos revitalizar a linha, com novos serviços e roteiros. Nos últimos dois anos, a empresa já caminha sozinha”, diz.


Segundo ele, os R$ 10 milhões investidos envolveram a capacitação de empregados, a modernização dos sistemas e a reformulação das estações, como a de Curitiba, que em março desse ano ganhou sala vip, cafeteria e lojas. “Hoje esse roteiro é o segundo mais visitado do Paraná, segundo dados da Embratur, perdendo apenas para Foz do Iguaçu”, diz. Inaugurada em 1885, a estrada de ferro percorre 110 quilômetros em meio à Serra do Mar, com um total de quatorze túneis e trinta pontes.

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A meta para esse ano é crescer 10%, com um fluxo de 150 mil passageiros. O faturamento, de R$ 3,8 milhões no ano passado, deve evoluir na mesma proporção. Hoje, segundo Arruda, 20% dos turistas são estrangeiros, a maioria europeus. O objetivo é elevar o volume de passageiros a 200 mil até 2010, segundo Arruda, que afirma que a empresa deve renovar o contrato de concessão, que vence em 2007, por mais dez anos.


Na ocasião, Arruda diz que espera renegociar alguns termos do contrato original, que segundo ele contribuíram para adiar o retorno do negócio. “Nosso contrato nos engessa com uma estrutura pré-determinada, o que nos impede de atender uma demanda maior”, diz. Hoje são 18 vagões (954 lugares) com duas locomotivas e três litorinas (168 lugares). “Ao mesmo tempo com essa estrutura não temos escala de compra junto aos fornecedores, já que não operamos com grandes volumes, como as empresas que trabalham trens de carga. Isso pressiona custos”, acrescenta.


Pelo contrato de concessão, a Serra Verde desembolsa um valor fixo – hoje atualizado em R$ 150 mil – para o Ministério dos Transportes. A empresa diz também que direciona 30,2% do valor das suas tarifas para a América Latina Logística (ALL), concessionária da malha ferroviária sul. A ALL, que opera com cargas no trecho, é responsável pela manutenção da via, pelo fornecimento das locomotivas e do monitoramento das composições por satélite. “O nosso desafio também é criar uma identidade própria para a empresa, desvinculada das operações da ALL. Até pouco tempo atrás grande parte dos turistas achava que quem operava a linha turística era a própria ALL”, diz. “Em 2004, por causa de um acidente da ALL na ponte São João ficamos 48 dias sem operar com a linha de turismo”, lembra.

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Fonte: Gazeta Mercantil

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