Em quatro anos, a primeira fase da ferrovia Nova Transnordestina vai ajudar a reduzir o gargalo no transporte do agronegócio brasileiro. Até 2010, a Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), responsável pela obra, pretende ter concluído quase toda a construção de 2.070 quilômetros da ferrovia, que terá o trecho antigo (mil quilômetros) totalmente reformado.
Cortando três estados (Piauí, Ceará e Pernambuco), a Nova Transnordestina ligará as regiões produtoras de grãos do Centro-Oeste e do Nordeste aos modernos portos de Suape (Recife) e Pecém (Fortaleza).
O agronegócio é a maior vitrine da ferrovia por ter um caráter de integração nacional. Mas a transformação que a obra causará no Nordeste vai muito além. No plano regional, o projeto também é sustentável e, principalmente, estruturante. A nova obra vai potencializar novos pólos e arranjos produtivos locais. Mineração, agricultura, móveis, calçados, têxteis, material de construção, logística, pecuária, avicultura, aquicultura, turismo e alimentos serão revitalizados. O transporte de passageiros também será ampliado.
Os primeiros cem quilômetros da ferrovia já estão em obras. Os contratos para a liberação dos cerca de R$ 4,5 bilhões para a primeira etapa da obra estão em fase final. A Nova Transnordestina sairá do papel, não tem mais retrocesso, independentemente de eventual troca de presidente da República nas próximas eleições, afirma Jayme Nicolato Corrêa, diretor-presidente da CFN, empresa que pertence ao grupo CSN (Companhia Siderúrgica Nacional). O governo será sócio na empreitada, via BNDES, Finor e FDNE.
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O investimento na Nova Transnordestina está dividido da seguinte forma: além de R$ 500 milhões financiados pelo BNDES, a CSN investirá mais R$ 550 milhões na etapa final do projeto. Desse total, R$ 400 milhões serão emprestados pelo BNDES, em sua linha Finem. Já o Finor (Fundo de Investimento do Nordeste) vai destinar R$ 823 milhões, enquanto o FDNE (Fundo de Desenvolvimento do Nordeste) participará com recursos da ordem de R$ 2,2 bilhões.
Com a privatização da malha ferroviária que cobre parte do Nordeste, a CFN convenceu o governo a alterar o traçado do projeto de ampliação e modernização da ferrovia. O objetivo, segundo Corrêa, foi deixá-lo o mais moderno possível.
Com o novo formato, a ferrovia passará a ter 104 vagões por trem, em vez dos 30 que o atual trecho permite. O número de tonelada por eixo passará de 18 para 32, a potência das locomo tivas subirá de 1.200 mil hp para 3.600 hp. A velocidade sairá da média de 20 km/h para 35 km/h, uma elevação de 250%. A capacidade de transporte sairá dos 1,5 milhão de toneladas/ano para 30 milhões anuais.
De acordo com o diretor-superintende da CFN, a área de abrangência da ferrovia poderá gerar 620 mil novos empregos em diferentes indústrias e na administração pública. O traçado que a Transnordestina percorrerá envolve uma região cujo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) atual é de 0,591, um dos mais baixos do Brasil.
O estímulo de várias cadeias produtivas, como o gesso, que ganhará competitividade e poderá ser exportado em larga escala com a diminuição do custo do transporte, abrirá possibilidade para que a realidade econômica da região seja transformada. A produção de álcool terá escoação mais fácil ao exterior.
Estados como o Piauí e Maranhão, que nos últimos anos ampliaram sua capacidade de produção em 12% ao ano, têm potencial para chegar a 1,5 milhão de metros cúbicos anuais. Daí o interesse do governo federal em participar com quase a totalidade dos recursos, embora o projeto seja comandado pela iniciativa privada.
Outra meta ambiciosa da ferrovia é o transporte de passageiros no Nordeste. O objetivo é saltar de 241 mil pessoas transportadas este ano para 2,3 milhões até 2015.
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