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Risco ambiental ameaça cerrado

A organização não-governamental Conservação Internacional Brasil sustenta, em um estudo divulgado no ano passado, que a monocultura da soja, as plantações de algodão e milho e a agricultura mecanizada são os principais fatores responsáveis pela destruição ambiental dos cerrados. As áreas mais ameaçadas estão no sul do Maranhão e do Piauí e no oeste da Bahia, justamente onde a Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN) planeja captar cargas para justificar o projeto da Nova Transnordestina.


“As últimas áreas que sobraram dos cerrados estão localizadas ali e as coisas estão mudando rapidamente. Só no sul do Piauí, nos últimos três anos, mais de meio milhão de hectares já foram desmatados. O que falta é uma política de conservação dos cerrados”, explica o coordenador da entidade Ricardo Machado.


No estudo, a Conservação Internacional Brasil chega a prever que até o ano de 2030 o cerrado deverá desaparecer, caso o atual modelo de desenvolvimento seja mantido. As grandes áreas desmatadas que se destacam no mapeamento realizado correspondem aos Estados de Goiás, leste do Mato Grosso do Sul, centro do Tocantins, extremo oeste da Bahia e Triângulo Mineiro.


A preocupação com o oeste da Bahia e o sul do Maranhão e do Piauí ocorre justamente porque nesses locais existem boas condições de ampliação das áreas de agricultura e a falta de infra-estrutura básica ainda é um fator impeditivo para o avanço do agronegócio. Em outras três regiões citadas no estudo (Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, Serra da Mesa, em Goiás, e a Ilha do Bananal, na planície do Rio Araguaia, no Tocantins), a possibilidade de expansão do agronegócio é menor devido às características do terreno, que conta com grande declividade, solos pouco profundos ou sujeitos à inundação periódica, representando um impeditivo à implantação de grandes projetos.

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“O problema do desmatamento é sério. Há projetos agrícolas com 50 mil hectares contínuos, uma área que representa 1/3 do município de São Paulo ou toda área de Porto Alegre. Pela dimensão, exigiriam maiores estudos, pois têm um impacto no microclima da região. No sul do Piauí e do Maranhão, os produtores fazem a derrubada da cobertura com correntões, sem preservar as árvores nativas”, corrobora o ambientalista Maurício Galinkin, da ONG Articulação Soja.


No sul do Maranhão, o secretário de Agricultura de Balsas, Márcio Montechese, admite que muitos produtores não respeitam os limites impostos pela legislação ambiental. “Infelizmente, tem gente que na hora que for regularizar a propriedade vai ter que comprar áreas para cumprir a legislação”, explica. No Estado do Maranhão, situado na área da Amazônia Legal, a legislação exige que 35% da propriedade seja preservada como reserva ambiental. No Piauí, o limite legal é 20%.


A introdução da soja, de fato, tem mudado a realidade local em pouco tempo. O estudo da Conservação Internacional Brasil, tomando como exemplo municípios localizados na região do Alto Parnaíba, no sul do Estado, ressalta que somente em 2003 a soja começou a ser plantada na região, de maneira tímida. Já em 2002, a área ocupada pela cultura tinha multiplicado por seis a área original. Hoje, a atividade encontra-se em franca expansão, com 224,7 mil hectares em produção, de acordo com informações da Conab.


O ambientalista Ricardo Machado explica que a seca no Sul e o dólar em baixa, desestimulando as exportações, são dois fatores que devem contribuir para que a área plantada não cresça no País agora na safra 2005/2006. “O alívio para o cerrado pode ser momentâneo, conseqüência da conjuntura adversa atual”.


O produtor de soja e algodão João Hoppe, instalado em Bom Jesus (PI), confirma que o avanço da produção de grãos é irreversível. “Até quando vamos plantar no cerrado? Não dá para dizer, mas vamos produzir cada vez mais. Nós recuperamos toda a área e um exemplo disto é a produtividade da terra hoje. Antes, a produtividade média era de 40 saca

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Fonte: Jornal do Commercio

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