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TAVs redesenham roteiros pela Europa

Os novos trens de alta velocidade estão mudando a geografia da Europa. Mochileiros sempre souberam que caminhos de ferro eram ótimos aliados para visitar vários países europeus em uma única viagem. Hoje, os trens estão tão rápidos, e oferecem tantos confortos, que servem também a quem já não tem mais idade de viajar com mochila nas costas – e não estamos falando sobre clássicos de luxo como o Orient-Express, que são um destino em si, e não apenas um meio de transporte. Em tempos de aquecimento global, há que se considerar ainda o impacto ambiental: as emissões de carbono dos trens são menores do que as de carros e aviões.


Além de mais verdes, as estações ficam no Centro ou perto dele, o que elimina o tempo e a despesa para se chegar a aeroportos distantes, e suas taxas. Com exceção do Eurostar, que liga a França e a Bélgica ao Reino Unido, o check-in é simples. Basta estar na plataforma certa pouco antes do horário de partida e embarcar – na hora, porque trens não costumam atrasar nem esperar os atrasados. O aspecto negativo no roteiro é que cada um deve cuidar da sua bagagem.


Nossa viagem pelos trilhos de alta velocidade da Europa começa em Milão, no norte da Itália, e termina em Londres. A partida é da estação de trem Milano Centrale, dos anos 1930, que leva à Praça do Duomo e à Galeria Vittorio Emanuele, no Centro da cidade, em apenas 15 minutos. A plataforma de embarque é a do Cisalpino, trem de alta velocidade que liga o Norte da Itália à Suíça. No Cisalpino, viaja-se a 200 quilômetros por hora. Para o próximo inverno europeu, a empresa promete trens que alcançarão 250km/h. Em 2009, os planos são mais ambiciosos: Roma-Zurique em sete horas, que hoje é o tempo mínimo de trem entre Florença e Zurique, por exemplo. O Swiss Pass é bom para quem pretende ficar alguns dias no país: ele pode ser usado também em outros transportes coletivos, incluindo barcos.


O TGV Lyria, que liga Suíça e França, surpreende pelo serviço. Em 2007, o Lyria transportou mais de 3,5 milhões de passageiros. Refeições assinadas pelo chef Franck Ferigutti, do Mandarin Oriental de Genebra, são servidas a bordo, no vagão de passageiros, por 13 euros (café-da-manhã) e 34,50 euros (almoço ou jantar). De Lausanne (distante 20 minutos de Montreux) a Dijon são 2h20m. De Dijon, o passo seguinte foi embarcar em outro TGV, desta vez de Dijon para Paris. O trajeto de 300 quilômetros é percorrido em duas horas e termina na grandiosa Gare de Lyon.

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De Paris até Bruxelas, o trajeto foi percorrido no Thalys. A viagem, que durava duas horas e meia há dez anos, hoje é feita em uma hora e vinte e cinco minutos. O Thalys liga a Bélgica a França, Holanda (Bruxelas-Amsterdã em 2h40m) e Alemanha (Bruxelas-Colônia em 2h20m). Nesse final de ano, ganhou acesso wi-fi à internet a 300 quilômetros por hora, no trecho de Paris a Bruxelas. Ano passado, o Thalys transportou 6,2 milhões de pessoas, 52% em viagens de lazer. Para 2009, estão previstas duas novas linhas que deixarão Amsterdã e Colônia a uma hora e 45 minutos de Bruxelas (e a três horas e 15 minutos de Paris), ambas com trens a 300km/h. Vermelho pelo lado de fora, por dentro o Thalys é um dos trens mais confortáveis de uma viagem repleta de trens agradáveis. O almoço é servido no vagão de passageiros, e o menu inclui salmão marinado, aspargos frescos e rolinhos de anchova com azeitona, além de pão e queijo, e cinco opções de vinho.


Com o Eurostar, o embarque foi em Bruxelas, a caminho de Londres, numa viagem de 120 minutos a 300 quilômetros por hora. O Eurostar parte também de Paris-Nord. Há um ano, este percurso foi encurtado em 20 minutos e leva duas horas e 15 minutos. As linhas que saem de Bruxelas e Paris cruzam o Canal da Mancha por um túnel debaixo d’água, e transportaram em 2007 o número recorde de 8,26 milhões de passageiros. O bilhete do Eurostar é o ponto-a-ponto mais vendido pela RailEurope, e o segundo na lista geral (o primeiro é o Eurail Pass, que reúne vários países). O check-in, na estação de trem de Bruxelles-Midi, lembra um pouco o de um aeroporto.


O desembarque em Londres acontece na estação de St. Pancras International, no norte da cidade, que passou por uma reforma de 800 milhões de libras e recentemente substituiu Waterloo, ao Sul, como casa do Eurostar na Inglaterra. Construída na segunda metade do século XIX, em estilo vitoriano, St.Pancras teve a sua reforma projetada por Sir Norman Foster – aliás, Foster está assinando seu primeiro projeto italiano em uma estação de trem, a de Florença, também com uma cúpula de vidro. St.Pancras, com um Champagne Bar, entre outros restaurantes, lojas e um mercado, assim como a parisiense Gare du Lyon com seu Le Train Bleu, vale a visita, mesmo para quem não tem nenhuma intenção de pegar mais um trem.

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Fonte: O Globo Online

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