Um dos projetos mais complexos de expansão ferroviária nacional finalmente está saindo do papel e entrará em operação até o final de 2011. Trata-se da ferrovia Transnordestina, que vai ligar a cidade de Eliseu Martins, no Piauí, aos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco. A complexidade da obra a fez patinar nos últimos anos, mas depois de cobranças públicas da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, os trabalhos entraram em um ritmo mais intenso.
Orçada em inacreditáveis R$ 5,4 bilhões, a Transnordestina conta com o aporte financeiro da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e, quando estiver pronta, terá 1.860 quilômetros de extensão, atravessando Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Piauí e Maranhão. De acordo com o diretor-presidente da Transnordestina Logística, Tufi Daher Filho, a lista de clientes ajuda a trazer ainda mais confiança ao projeto.
“Contamos com o apoio da Petrobras, da Bunge, da Esso, Votorantim, Shell, Texaco, Vale, Hambürg Sud e Gerdau. Todos eles estão de olho no potencial de crescimento do Nordeste brasileiro e dependem da Transnordestina para escoar as mercadorias com mais agilidade. A ferrovia, além de tudo, será uma reta, projetada para unir alta qualidade com baixo custo, sem curvas e ligando os portos de Suape e Pecém”.
Durante a feira Negócios nos Trilhos, realizada em São Paulo, Tufi Daher Filho não escondeu de ninguém que o Governo Federal pediu à CSN mais agilidade na construção da ferrovia, mas a empresa esbarrou em um velho adversário de obras de infra-estrutura do País: a obtenção das licenças ambientais para a execução dos trabalhos. E isso acabou atrasando parte do processo.
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“Quero fazer um alerta. Ferrovias são obras de baixíssimo impacto ambiental, por isso não podemos perder tanto tempo quanto perdemos com licenças ambientais. A Transnordestina já existe em sua grande parte e para fazer uma remodelação nós tivemos de enfrentar situações absurdas de falta de celeridade. Tenho certeza de que outros empresários sentem a mesma coisa, mas é necessário dizer isso, até para que a culpa não recaia sobre nós”.
Linhas coloridas apontam o traçado da Transnordestina
A cronologia da Transnordestina é de fazer qualquer empresário do setor logístico brasileiro chorar de raiva. Com sua construção autorizada em 1954, nada foi feito durante mais de 30 anos pelos governos democráticos e militares. Em 1987, o Ministério dos Transportes apresentou outro projeto, onde seriam recuperados 1.635 quilômetros de ferrovias. O investimento anunciado era de quase US$ 1 bilhão, mas nada foi feito. Com as denúncias de superfaturamento da obra em 1991, ela foi suspensa pela União. Privatizada em 1998, a Transnordestina ficará pronta só 13 anos depois.
“Eu sou suspeito para falar, pois sou de Pernambuco e sei como essa história se desenrolou nos últimos anos. Vimos as dificuldades absurdas enfrentadas pela CSN nesta fase do projeto, mas o esforço vai valer a pena. A ferrovia vai mudar a cada do setor portuário no Nordeste”, explica o diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça.
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