Estão em Hortolândia duas das cinco fábricas existentes no País com estrutura física e tecnológica necessárias para servirem como base para a construção do TAV (Trem de Alta Velocidade) brasileiro.
De acordo com o presidente da Abifer (Associação Brasileira da Indústria Ferroviária), Vicente Abate, apesar de toda a tecnologia necessária à viabilização do projeto do TAV ser originária de outros países, a empresa ou consórcio vencedor da licitação para o trem-rápido necessitará de plantas industriais locais para a montagem dos vagões e trilhos. Além das duas fábricas em Hortolândia, existem outras em São Paulo, Araraquara e Rio de Janeiro com capacidade para esse serviço.
O vice-presidente da área de infraestrutura da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Saturnino Sérgio da Silva, ressaltou que com a transferência de tecnologia para o Brasil que deverá ser incluída no edital de licitação do TAV, em um prazo médio de dez anos o Brasil poderá se tornar um exportador de projetos de trens de alta velocidade, em especial para países da América Latina e da África.
“Com a criação da empresa estatal do trem-rápido, a Etav, o Brasil reunirá condições de em breve tornar-se uma referência internacional na construção desse tipo de veículo. Nessas situações a nacionalização da tecnologia ocorre até com uma certa rapidez”, disse Silva.
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Abate concorda com a tese de Silva e acredita que além de provocar um grande impacto no mercado interno para as indústria ferroviárias o TAV poderá ser um produto de exportação brasileiro, assim como já acontece com trens convencionais e de metrô. “Temos como exemplo a Coreia do Sul, que começou como nós e hoje já exporta projetos de trens rápidos para outros países”, afirmou ele.
Ele citou o exemplo da Argentina, que já tem um esboço de projeto de trem de alta velocidade entre as cidades de Buenos Aires e Rosário, paralisado temporariamente por conta dos impactos da crise mundial. “Já vendemos vagões de metrô para a Argentina, poderíamos também comercializar o trem bala”, disse Abate.
Segundo Abate, a expectativa das empresas do setor ferroviário brasileiros é de absorverem cerca de 60% dos R$ 2,7 bilhões previstos na modelagem financeira do TAV para gastos com o material rodante, que envolve os trens e os trilhos. “Só para se ter uma ideia do impacto que isso provocaria no mercado interno, o faturamento do setor ferroviário no País em 2008 foi de R$ 2,6 bilhões”, ressaltou. Os nomes das empresas que estariam aptas a participar do projeto não foram divulgados.
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