As empresas de primeira linha já conseguem captar no mercado doméstico com taxas bem menores do que as pagas por alguns bancos. Os prazos dos papéis também são maiores do que há dois ou três anos. A AmBev começou a emitir ontem R$ 2 bilhões em debêntures em duas séries, com juros de 101,75% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) na série de três anos e 102,5% na de seis anos. As taxas são menores do que a empresa conseguiu em sua última emissão no exterior.
A América Latina Logística (ALL) vai pagar a variação de CDI mais 1,5% ao ano para os R$ 700 milhões que emitirá esta semana. Há dois anos, a empresa captou R$ 100 milhões com remuneração de 108% do CDI. Alguns bancos médios chegam a pagar 130% do CDI para obter recursos.
Há alguns anos, as condições das emissões de debêntures (repactuação) eram revistas um ano após a emissão. Hoje, o prazo já aumentou para cerca de cinco anos após o lançamento, mostram os números da Anbid.
As empresa brasileiras já captaram R$ 74,7 bilhões este ano, até ontem, no mercado de capitais brasileiro, valor que supera as emissões de debêntures, ações, recebíveis e notas promissórias realizadas em todo o ano passado – um novo recorde. As debêntures foram até agora o principal instrumento utilizado e responderam pela captação de R$ 44,2 bilhões, número que também supera as operações de 2005. Os lançamentos de ações também surpreenderam e chegaram a R$ 21 bilhões, um recorde absoluto tanto em volume quanto em número de ofertas (39 ao todo).
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