Arnaldo Jardim, deputado federal (PPS-SP)
A capacidade de desenvolvimento tecnológico, inovador e consequentemente econômico de um país pode ser medida pela quantidade de bons engenheiros atuando. A sua formação empreendedora torna os engenheiros profissionais-chave em setores como os da construção civil, energia, logística, transportes, telecomunicações, indústria, recursos hídricos, saneamento, meio ambiente, entre outras áreas. Em poucas palavras podemos definir que engenheiro é o profissional do desenvolvimento.
Diante da proximidade do Dia do Engenheiro, comemorado no dia 11 de dezembro, festejo importantes eventos setoriais, como o 7º Seminário da Indústria Brasileira da Construção – ConstruBusiness 2008, a sessão São Paulo do Urban Age – importante conferência internacional de urbanismo, segurança e mobilidade do mundo, além do Congresso Mundial de Engenheiros 2008, onde a questão da sustentabilidade ganha destaque nos debates e que realiza-se em Brasília.
Em comum, o pleito uníssono dos profissionais da área reside na ausência de um projeto permanente de médio e logo prazos, que independa de quem está no poder, que deve ser executado a partir das prioridades do País, que não são poucas. Afinal, os gargalos de infra-estrutura já são conhecidos há muito tempo e num período de crise global, como enfrentamos atualmente, ficam mais evidentes, comprometendo sobremaneira nossa competitividade no mercado internacional.
A partir daí, o Governo poderia qualificar seus programas, priorizar projetos e adequar marcos regulatórios em todos os segmentos de infra-estrutura, tornando-os claros, transparentes, seguros e viáveis para atrair investimentos privados nacionais e internacionais. Acredito que o momento é de cautela, apertar o cinto no custeio da máquina pública para não comprometer os investimentos necessários em infra-estrutura para manter aquecida a atividade econômica.
Se por um lado à questão macroestrutural carece de definições, no cotidiano salta dos olhos a necessidade de aumentarmos, com a qualidade necessária, o número de escolas e de graduados em engenharia. Enquanto várias categorias de profissionais se ressentem da saturação do mercado de trabalho, na engenharia, apesar dos obstáculos impostos pela legislação, já observamos a importação de profissionais de países como Chile, Argentina e Estados Unidos.
O alerta parte do Movimento Cresce Brasil, liderado pela Federação Nacional dos Engenheiros, para necessidade de dobramos o número de profissionais formados nos próximos dez anos se o País quiser manter a sua trajetória de crescimento. Alguns casos servem para ilustrar essa precariedade. O presidente da Vale, Roger Agnelli, por exemplo, chegou a se queixar da dificuldade de contratar engenheiros metalúrgicos e de barragens. A meta da Petrobras de contratar 60 mil pós-graduados em engenharia nos próximos três anos também esbarra na falta de profissionais. Em meio ao recente boom da construção civil, há relatos de dificuldades de contratar engenheiros civis em Estados como São Paulo e Bahia.
Segundo dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), dos 10 mil doutores e 30 mil mestres formados todos os anos, pouco mais de 10% estão nas áreas de engenharia ou de ciência da computação. Em países como China e Coréia do Sul, esse índice chega a 70%. Na própria Coréia do Sul há 20 engenheiros em cada grupo de 100 formados nas universidades. No Brasil são apenas 8 em 100. O Brasil forma 20 mil engenheiros por ano, ante 300 mil na China , 200 mil na Índia e 90 mil na Coréia do Sul. Basta compararmos os índices de desenvolvimento destes emergentes com o Brasil para entender um dos motivos de taxas de crescimento tão pífias registradas nos últimos anos.
Apesar disso, a excelente formação técnica, profissional e empresarial da Engenharia Brasileira contribuiu para abrir novas fronteiras de trabalho e de crescimento. Nossos profissionais são disputados em todos os segmentos de infra-estrutura e de projetos estratégicos nas Américas, na África e até em Portugal. Na perfuração de águas profundas, na construção de barragens e pontes, na área aeroespacial, na prospecção e extração de petróleo em águas profundas, entre outras tantas áreas, atestam a excelência da nossa engenharia e dos profissionais que no seu cotidiano demonstram o pioneirismo em vários setores!
Em meio às comemorações do Dia do Engenheiro, quero reiterar o meu compromisso com a profissão que abracei, ensejar uma maior participação dos profissionais de engenharia na política, pois nós temos um papel fundamental para fazer funcionar a engrenagem do desenvolvimento sustentável em nosso País. A arte do engenho, o engenho da arte consolidando conhecimentos, abrindo novas fronteiras, superando limites para que este patrimônio seja disponível a todos. Desejo meu e de todos os engenheiros.
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