Valor Econômico – A agência britânica de fomento à exportação UKEF está reformulando sua atuação no Brasil, após anos de atividade quase nula no país. A entidade reforçou o foco e na semana passada fechou seu primeiro contrato nessa nova fase, com um crédito de 89 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 516 milhões) para a Embraer, em uma operação na qual dá garantias em uma linha concedida pelo J.P. Morgan. O consulado britânico em São Paulo deve receber em breve um funcionário dedicado exclusivamente à UKEF e a expectativa é crescer fortemente no país. A agência tem 3 bilhões de libras disponíveis para empresas brasileiras.
O diretor de negócios e investimentos do governo britânico no Brasil, Martin Whalley, explica que, por contar com o rating do Reino Unido, a agência tem funding mais barato e consegue cobrar juros menores do que o mercado, sendo que seus créditos geralmente são de longo prazo, de 10 a 15 anos. Enquanto outras agências de exportação exigem 50% ou mesmo 100% de conteúdo local nos contratos que financiam, no caso britânico esse porcentual é bem mais baixo, de 20%. A entidade pode financiar tanto empresas privadas como do governo, em todos os segmentos da economia, mas recentemente tem dado atenção especial a projetos com impactos em padrões ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês). Se a documentação estiver toda em ordem, o crédito pode ser aprovado em cerca de seis meses.
“Naturalmente somos mais atuantes nos países do Commonwealth, onde o fluxo de comércio com o Reino Unido é maior. Nas últimas décadas não estávamos fazendo tudo que poderíamos na América Latina e agora queremos mudar isso. Esses 3 bilhões de libras que temos para o Brasil não são um teto. Se usarmos tudo, podemos rever esse número”, conta. “Gostamos muito do setor de energia limpa, seja eólica, solar, hidrogênio verde.”
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