Valor Econômico – Entre janeiro e junho de 2023, o consumo aparente de aço caiu 1,6% no país, na comparação com o mesmo período de 2022, para 11,5 milhões de toneladas, segundo o Instituto Aço Brasil. A entidade divulgou dados do semestre e também recalculou a projeção para o ano, que era de queda de 1% no consumo. Agora, prevê um recuo de 2,6% em 2023, para 22,9 milhões de toneladas.
De janeiro a junho, a produção de aço bruto caiu 8,9%, para 15,97 milhões de toneladas, o que causou uma retração de 6,1 pontos percentuais na utilização da capacidade instalada no Brasil – ficou em 62,7% em junho. “Temos capacidade de produzir 51 milhões de toneladas por ano e produzimos 34 milhões”, diz Jefferson de Paula, presidente do conselho diretor da Aço Brasil e presidente da ArcelorMittal no país.
As vendas internas de aço recuaram 5,7% no período, para 9,6 milhões de toneladas – a venda de aços laminados planos caiu 3,8% e a de longos, 8%.
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“É por falta de mercado mesmo, os principais setores que demandam aço não vêm andando bem”, afirma de Paula. Construção civil, bens de capital e setor automotivo são 82,5% do consumo aparente.
Para o presidente do conselho diretor da entidade, o programa Minha Casa, Minha Vida pode ajudar na demanda da construção civil, mas os resultados serão sentidos a partir do segundo semestre.
No setor automotivo, o plano para dar descontos nos carros não deve ter efeito representativo. “A parte de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas está caindo bastante e não deve mudar muito”, diz o executivo.
As exportações de aço brasileiro caíram 4,2%, na comparação com o primeiro semestre de 2022. Já as importações subiram 43,2%.
Segundo de Paula, isso se deve ao câmbio mais favorável para importações e a um excesso mundial de capacidade produtiva, que causa uma corrida por mercados consumidores no exterior ao mesmo tempo em que se estabelecem medidas protecionistas. É o que a entidade chama de “guerra de mercado”.
Nisso, o Brasil se torna atrativo ao aço estrangeiro. “Aumenta o risco do chamado desvio de mercado”, diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Aço Brasil.
O instituto prevê para 2023, além da queda de 2,6% no consumo aparente, um recuo de 5% na produção de aço bruto, que deve somar 32,38 milhões de toneladas. A utilização da capacidade instalada deve subir levemente sobre o registrado em junho, para 63,6%, ainda um recuo de 3,3 pontos percentuais ante 2022.
As vendas internas devem cair 6% em 2023, para 19 milhões de toneladas. O resultado esperado originalmente era de crescimento de 1,9% nesse indicador.
É esperado uma pequena queda de 0,3% nas exportações (11,9 milhões de toneladas), ante a previsão anterior de alta de 2,5%.
A entidade já projeta um aumento de 25,6% nas importações de aço, que chegariam a 4,2 milhões de toneladas. A estimativa inicial era de alta de 2,5%.
“Estamos vendo consistentemente o mercado de aço caindo no Brasil”, afirma de Paula.
A reforma tributária, que agora está no Senado, foi apoiada pelo Aço Brasil e é vista como uma das prioridades para melhorar o desempenho do setor no país. Para Lopes, ela está “muito bem encaminhada” e vai levar a um crescimento da indústria e dos serviços.
Outra prioridades do setor são uma maior efetividade dos mecanismos contra práticas predatórias de comércio e o incentivo à maior oferta de sucata metálica no mercado nacional. A entidade também pede o barateamento do gás natural e que haja exigências de aço local para concessão de alguns financiamentos, como para torres de energia eólica.
Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2023/07/19/consumo-e-producao-de-aco-caem-no-pais.ghtml
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