Valor Econômico – Os resultados de 2025 da pesquisa “Valor Inovação Brasil”, realizada pela consultoria Strategy&, da PwC, sinalizam uma tendência de progresso nas estratégias inovadoras. Segundo o mapeamento, o índice que mede a inovação nas companhias passou de 100, em 2016, para 117 em 2021, e chegou a 125, este ano, um recorde. O estudo analisou 264 companhias em 25 setores da economia.
Na avaliação de Gerson Charchat, líder da Strategy& no Brasil, as organizações com as melhores notas são motivadas a buscar a inovação para entender melhor os desejos dos clientes e garantir mais eficiência nos processos de negócio. “A utilização massiva de inteligência artificial [IA], a ampliação da inovação aberta e o aumento do investimento, com casos [de uso] disruptivos, demonstra que as empresas perseguem a inovação como uma de suas principais estratégias de crescimento.”
Mas há desafios pela frente, lembra o consultor. Em 2026, as corporações devem observar mais duas principais linhas de inovação: com IA e na mudança de modelos de negócios. “A maioria ou 94% dos ‘cases’ das empresas analisadas envolvem a IA”, destaca. Nessa área, é recomendado desenvolver uma dinâmica com iniciativas integradas, propósito e proposta de valor, ensina. “Além disso, as operações precisam ampliar as iniciativas de upskilling [aprimoramento e desenvolvimento de habilidades] entre as equipes, incentivando a criação de uma cultura de IA.”
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Sobre a repaginação dos modelos de negócios, Charchat aponta que cerca de 40% das empresas já apresentam mudanças nas rotinas existentes. A recomendação é afinar alterações, como nos planos de remuneração dos executivos, a fim de valorizar a capacidade de assumir riscos, com foco em resultados de longo prazo. “É importante criar um orçamento que olhe diferentes horizontes, não somente no curto prazo”, afirma.
Na Vale, empresa vencedora no setor de mineração, a sugestão é seguida à risca. “A IA é parte da estratégia, da operação e da cultura da empresa, e molda o futuro da mineração com mais segurança e sustentabilidade”, afirma o vice-presidente executivo técnico, Rafael Bittar. “A criação do nosso centro de inteligência artificial, em 2019, em Vitória, simboliza esse movimento”, acrescenta. A companhia já desenvolveu mais de 45 sistemas de IA.
Na Suzano, destaque na categoria papel e celulose, uma solução combina IA, sensoriamento remoto e machine learning (aprendizagem de máquina) para detectar anomalias em florestas e reduzir perdas. Outro exemplo de sucesso é a assistente “Ana Maria”, uma agente de IA capaz de unificar dados de manuais de operação de equipamentos como o digestor – o “coração” do processo de produção da celulose. “O tempo de treinamento necessário para integrar novos profissionais na rotina de cozimento da celulose foi reduzido em 15 horas”, comemora Josilda Saad, diretora de TI da Suzano.
Renata Baruzzi, diretora de engenharia, tecnologia e inovação da Petrobras, vencedora na categoria petróleo, gás e petroquímica, comenta que a IA e sistemas de robótica são utilizados para garantir a segurança dos funcionários e reduzir os impactos ambientais das operações. “As aplicações surgem em projetos de manutenção preditiva de maquinário, na otimização de processos de trabalho e na análise de dados geológicos”, afirma.
Na visão de Andrea Campos Soares, vice-presidente de business, marketing e inovação da Indovinya, divisão de negócios da Indorama Ventures, campeã no setor de química, a IA acelera ciclos de desenvolvimento de produtos. “É aplicada em ações como a automação de análises”, explica. “O tempo entre a concepção de ideias e a validação em laboratório é reduzido, com um aumento na taxa de acerto das formulações.”
Destaque na categoria seguros e planos de saúde, a Unimed-BH utiliza a tecnologia em toda a cadeia de valor, desde o aprimoramento dos processos assistenciais até a criação de novos negócios. “A IA está no centro da nossa transformação digital e na forma como cuidamos das pessoas”, afirma o diretor-presidente, Frederico Peret, que acrescenta que a companhia mantém mais de 30 modelos de IA em produção, em nichos como previsão de riscos clínicos e no apoio a decisões médicas.
Giovana Giroto, vice-presidente de marketing da Serasa Experian, líder na categoria serviços, lembra que a empresa lançou em abril a “Nádia”, uma “coach de RH” virtual que ajuda os funcionários a definirem metas e planos de ação. “A tecnologia está presente no nosso dia a dia, gerando um impacto direto na produtividade e no poder de inovar”, resume.
A Livelo, que lidera a categoria de serviços financeiros, evoluiu na geração de conteúdos automatizados, segundo Felipe Avila, diretor de tecnologia, produtos e dados. Entre os projetos em andamento, o executivo destaca um sistema de viagens que usa ferramentas de IA para produzir conteúdos sobre novos roteiros. “Conseguimos diminuir de 12 horas para sete minutos a geração de materiais sobre um destino”, diz.
No Einstein, vencedor em serviços médicos, o diretor-executivo de inovação, Rodrigo Demarch, relata a capacidade da IA de costurar parcerias com mais empresas inovadoras. “Os sistemas são aplicados de forma transversal, desde diagnósticos e tratamentos até a gestão das unidades de saúde”, diz. “Isso acontece por meio da incorporação de tecnologias criadas no mercado, em conjunto com outras organizações, como Siemens e Philips, e pelo desenvolvimento interno de algoritmos.”
“A IA é a ‘nova eletricidade’, um imperativo para a competitividade das empresas”, compara Diego Puerta, presidente da Dell Technologies no Brasil, ganhadora na categoria tecnologia da informação. “A Dell se posiciona como uma catalisadora da IA, com um portfólio que vai de hardware, como os ‘AI PCs’ [computadores pessoais dotados com IA] fabricados no Brasil, até a infraestrutura de data centers, preparados para essa tecnologia.”
Christian Gebara, CEO da Vivo, primeira colocada no setor de telecomunicações, conta que a IA desponta como uma ferramenta de interação com os assinantes da operadora. “A facilidade reduziu em 9% o tempo das ligações de consultas, auxiliando os atendentes dos call centers e das lojas com respostas mais completas.”
Na VLI Logística, vitoriosa na categoria transportes e logística, a inovação ganha terreno nos modais de transporte e na descarbonização das atividades. “A IA chegou em iniciativas como o Leader, uma solução inteligente de condução autônoma que capta informações do trem e do perfil da via para criar um plano de condução que garanta eficiência energética e redução das emissões de gases de efeito estufa”, detalha Alessandro Gama, diretor-executivo de planejamento, engenharia e tecnologia.
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