Valor Econômico – A Motiva (ex-CCR) atualizou para R$ 160 bilhões a estimativa de estoque de projetos no radar do grupo, menor do que a apresentado em 2024, de cerca de R$ 190 bilhões. O foco, agora, está em concessões de rodovias e trilhos, com prioridade para grandes metrópoles e eixos logísticos expostos ao agronegócio. Segundo o presidente Miguel Setas, a hipótese de saída do setor de aeroportos é considerada pela Motiva, que já contratou assessores financeiros para conduzir o processo que avaliará a venda dos ativos aeroportuários.
“Nossa visão é de um portfólio simplificado, o que significa uma concentração nos negócios onde somos líderes, que são rodovias e trilhos. Portanto, obviamente, consideramos a hipótese de sair [de aeroportos]”, disse o executivo, nesta quinta-feira (25), depois de participar do Capital Markets Day, encontro anual promovido pela Motiva com analistas e investidores.
Para o setor de rodovias, estão previstos agora R$ 100 bilhões em investimentos nos próximos anos, ante R$ 125 bilhões apresentados no ano passado. No de trilhos, serão R$ 60 bilhões, frente a R$ 69 bilhões anteriormente. “Estamos ajustando e dando uma fronteira mais nítida daquilo que queremos, em termos de crescimento”, disse o executivo.
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Segundo Setas, no caso de rodovias, o foco são ativos premium em geografias estratégicas, como as concessões da Rota Sorocabana; da BR-163, rodovia que atravessa o Estado de Mato Grosso do Sul; e de outras rodovias do Estado do Paraná, que o grupo já conquistou.
Para o setor de trilhos, a visão é a mesma, segundo Setas. Ele afirma que o grupo quer continuar investindo nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. “Em São Paulo, temos um pipeline muito construtivo de oportunidades e, portanto, não há razão para tirar o foco daquilo que é a atenção da companhia”, afirmou. O executivo disse ainda que o investimento estimado nos dois segmentos tem o objetivo de gerar valor e controlar riscos.
Na busca de aumento da eficiência operacional, o grupo disse que pretende investir mais de R$ 1 bilhão em tecnologias como inteligência artificial (IA) e IA generativa até 2035. “O que é que nós queremos? Queremos entrar com conceitos de indústria 5.0, para fazer uma transição para a chamada ‘smart infrastructure’ [infraestrutura inteligente]”, afirmou Setas.
O plano também inclui investimento em eixos como “big data” e “analytics”, sensorização e IoT, tipo de tecnologia que prevê a interconexão entre dispositivos físicos através da internet, robotização, automação e transição energética. O efeito das tecnologias deve se concentrar entre 2030 e 2035.
A iniciativa é parte do objetivo de ganho de eficiência operacional do grupo, que busca reduzir a razão entre despesas operacionais (opex) e receita líquida para menos de 38% já neste ano, e para menos de 28% até 2035. A meta ficou mais ambiciosa ontem, depois de ser atualizada – a anterior previa redução da razão a menos de 35% em 2035.
O vice-presidente de finanças e relações com investidores e presidente da Motiva Aeroportos, Waldo Perez, disse que a razão entre opex e receita líquida chegou a 38% no primeiro semestre deste ano. Para ele, a redução do custo de caixa da Motiva em 1% no período, ante igual do ano passado, contribuiu para o resultado. “Em termos reais, tivemos uma redução de R$ 200 milhões nesse período”, disse, no evento. “Acreditamos, sim, no potencial relevante de poder chegar até o fim do ano nessa meta [de 38%], antecipando nossa ambição”.
A Motiva disse que outras projeções, como a taxa de crescimento anual composto (CAGR) do Ebitda ajustado de 8% e 10% entre 2025 e 2035 e o de reciclagem de capital de R$ 5 bilhões a R$ 10 bilhões até 2035, foram mantidas. Desde 2023, já foram reciclados R$ 600 milhões em ativos, considerando as vendas da SAMM, TAS e Quicko, informou o grupo.
Setas disse que a conclusão do processo de transação de ativos aeroportuários do grupo ajudará na simplificação do portfólio, que será “mais simplificado e mais focado naquilo que são os negócios principais”, completou.
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