Estadão – Com a entrega dos estudos de viabilidade técnico financeira e projeto referencial, a implantação da Linha 16-Violeta chegou às últimas etapas antes da publicação do edital e posterior leilão, previsto para o primeiro semestre de 2026. A proposta passou por inclusão e retirada de estações, mudanças no trajeto e outras alterações após “acelerar” no último ano — e se tornar uma das principais frentes de avanço da rede de metrô de São Paulo.
Embora não tão conhecida, a linha passará por alguns dos bairros mais valorizados e movimentados da cidade, como Pinheiros, Jardins e Mooca. Também atenderá a uma antiga reivindicação de parte dos paulistanos: a abertura de uma estação de metrô em frente ao Parque do Ibirapuera. Os parques Independência e Aclimação igualmente devem ser contemplados.
O projeto teve mais detalhes divulgados nos últimos dias, com o início, neste mês, do período de consulta e audiências públicas anteriores à publicação do edital. A aceleração da proposta se deve em parte ao interesse da Acciona em participar do leilão, o que está em uma Manifestação de Interesse Privado (MIP) divulgada em agosto do ano passado.
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Linha 16-Violeta
A multinacional espanhola foi selecionada em um chamamento público do Estado neste ano para a elaboração dos documentos técnicos necessários para a licitação, entregues em junho. Segundo o Estado, os R$ 42,3 milhões estimados pelos estudos serão ressarcidos pela vencedora da PPP.
Essa documentação inclui algumas mudanças no projeto, como a extensão para a estação Teodoro Sampaio. A previsão é que as obras da fase um — entre os distritos Pinheiros e Vila Formosa, da zona oeste à leste — sejam entregues em 2035. A segunda etapa, até Cidade Tiradentes, no extremo leste, ficará para 2040, com trajeto ainda a ser definido.
Diretor de Assuntos Corporativos da estatal Companhia Paulista de Parcerias, Augusto Almudin reconhece que a linha acelerou. Destaca, contudo, que outros projetos de ampliação da rede metroferroviária também estão avançando, como o trem até Sorocaba e os recentes leilões de linhas da CPTM.
“Esse aqui, porque a Acciona demonstrou interesse, a gente avançou com ele, mas não impacta negativamente no resto do pipeline. É mais um projeto que a gente está tocando simultaneamente”, disse ao Estadão.
Além disso, destacou que a Linha 16-Violeta não teria “furado a fila” de estudos de novas linhas e expansões. Isso porque outras iniciativas estão tramitando em paralelo. “Os cronogramas são parecidos”, disse em referência às linhas 20-Rosa (zona oeste paulistana até Santo André) e 22-Marrom (Cotia até zona oeste da capital).
O representante do Governo também explicou os motivos para a extensão da linha até a estação Teodoro Sampaio, em Pinheiros — que, até então, atenderia apenas as futuras linhas 20-Rosa e 22-Marrom. Isso se deve em parte à primeira estação inicialmente apontada para a linha 16-Violeta (a Oscar Freire) já funcionar pela Linha 4-Amarela, o que exigiria que o tatuzão avançasse mais antes de ser removido.
“(Por causa do funcionamento da Oscar Freire) 0 Metrô (em estudos prévios) já previa uma extensão de túnel perto da Teodoro Sampaio. A gente achou que, já que chegaria ali perto, em fazer uma tripla integração entre as linhas 16, 20 e 22. Era uma oportunidade”, explica Almudin. “Geraria bastante demanda essa nova integração.”
A implantação da linha será por meio de Parceria Público Privada (PPP) de 31 anos, com nove anos de obra. O modelo é semelhante ao atual da Linha 6-Laranja, cujo consórcio responsável é liderado justamente pela Acciona.
Estação Nove de Julho
Acesso da Linha 16-Violeta deve ser construído em travessa com privatização aprovada
A previsão é de leilão no primeiro semestre e assinatura no contrato no terceiro trimestre, com concorrência nacional e internacional. A concessionária selecionada será a que propor menos despesas ao poder público.
A estimativa é de aporte (investimentos estaduais iniciais) de R$ 27,1 bilhões, com R$ 97,9 bilhões em contraprestações (distribuídas ao longo do contrato). Isto é, custo total estimado de R$ 125,1 bilhões, de acordo com a modelagem econômico-financeira. Os valores não incluem a fase dois, de modo que os custos dessa implantação tendem a estar em posterior aditivo ao contrato.
Em nota ao Estadão, a Acciona reafirmou o interesse em participar da PPP. “Está alinhado à estratégia da companhia de fortalecer sua atuação em mobilidade urbana e infraestrutura sustentável no Brasil”, justificou.
A primeira fase da linha contemplará 16 estações, da Teodoro Sampaio, na zona oeste, até Abel Ferreira, na leste, com duração média de 34 minutos. Irá abranger bairros de classe média e valorizados da cidade, como Pinheiros, na zona oeste, Jardins e Aclimação, no centro expandido, Vila Mariana, Moema e Ipiranga, na sul, e Mooca e Anália Franco, na leste.
Quatro estações tiveram o Decreto de Utilidade Pública (DUP) publicado em setembro: Jardim Paulista e Nove de Julho, nos Jardins, Ana Rosa, no distrito Vila Mariana, e Álvaro Ramos, no distrito Água Rasa. Esses despachos são necessários para indicar as áreas a serem futuramente desapropriadas — o que inclui a travessa nos Jardins cuja venda a um empreendimento de alto padrão foi sancionada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Segundo o diretor de Assuntos Corporativos, os despachos começaram por esses perímetros porque são os que têm menos chance de alteração. Nesses locais, há áreas mais verticalizadas e grande valorização imobiliária.
“Ali, não tem outro espaço que não seja aquele para construir a estação, e construir um grande empreendimento imobiliário naquelas regiões com fundas fundações poderia impactar a passagem da Linha 16 naquela região”, disse. “Há quase uma inviabilidade da linha passar por outro local que não seja aquele. No entanto, a concessionária pode adotar outra solução.”
Ele salientou, contudo, que o proprietário poderá continuar no local e fazer alterações até a desapropriação. “Não está proibido de fazer nada. Você só vai saber que vai ser desapropriado no futuro. E a desapropriação segue os parâmetros da lei, padrões de mercado etc”, explicou.
Enquanto a Teodoro Sampaio foi incluída, o novo trajeto exclui a Estação Basílio da Cunha. Antes, era prevista para estar entre as estações os parques Aclimação e Independência.
Também não está mais completada uma conexão com a estação Paraíso, já existente, como se cogitou anos atrás, dentre outras alterações. O motivo apresentado é que uma expansão teria impacto significativo na Avenida 23 de Maio.
Polo industrial da Mooca critica instalação de pátio de manobras
Na primeira audiência pública do leilão, na terça-feira, 7, a maioria dos presentes que se manifestaram criticaram o local sugerido para a instalação do pátio de trens, na Avenida Henry Ford, um dos principais polos industriais da capital paulista, na Mooca. Diversos empresários e representantes do setor falaram em possíveis impactos na produção e em empregos, reivindicando a escolha de um novo endereço.
A Associação Avenida Henry Ford, Mooca e Região apontou risco de “demissão em massa” e “impacto devastador e irreversível”, destacando que representa 228 empresas, 15,9 mil empregos diretos e 60 mil indiretos. O grupo argumenta que muitas empresas estão na região há décadas e que seria difícil encontrar outra opção de endereço, além de afirmar que mesmo as não desapropriadas enfrentariam efeitos negativos.
Em resposta, os representantes da SPI indicaram que as empresas diretamente impactadas representam 1,6 mil empregos, ante as 600 vagas diretas que o pátio gerará. Também destacaram que as desapropriações envolvem processos longos, de alguns anos, de modo que haveria previsibilidade para mudanças de endereço.
O Estado ainda respondeu que estaria aberto a sugestões de novos endereços. Além disso, destacou que o atual perímetro previsto para o pátio tem quase metade do tamanho do anteriormente cogitado.
Concessionária terá receitas extras e poderá até conceder ‘naming rights’ da estação
Além dos valores pagos pelo Estado e os passageiros, estima-se que a concessionária tenha um retorno em “receitas acessórias”. A estimativa é de que sejam de R$ 20,9 milhões (projeção pessimista) a R$ 33,2 milhões (otimista) no primeiro ano de operação da linha. No último ano, poderá chegar às cifras de R$ 36,7 milhões a R$ 58,1 milhões, com todas as estações em pleno funcionamento.
Dentre as possibilidades indicadas, estão publicidade variada (sonora, painéis de LED, interativas etc), locação e cessão de espaços (lojas, eventos e outros), contrato de naming rights (inclusão de marcar em nomes de estações) e serviços (guarda-volumes, cobrança de passagem a trens de carga, venda de excedente de produção de energia, estacionamento e mais). A decisão sobre a exploração será da concessionária.
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