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Antiga ferrovia vai virar esteira

Sete grupos industriais disputam neste momento um dos projetos logísticos mais ousados do Brasil. Todos entregam até o próximo dia 20 os envelopes com as propostas técnicas e os valores de investimento para poder construir a maior correia transportadora do País – uma esteira que serpenteará por 18 quilômetros a Serra do Mar e por onde descerão até 10 milhões de toneladas de carga. Será construída, principalmente, para o escoamento do minério de ferro que chega de Minas Gerais e é carregado sobre trilhos numa descida cara e lenta. A infra-estrutura interligará o alto da Serra de Paranapiacaba à Cosipa, em Cubatão.

O negócio será bancado pela concessionária de ferrovia MRS Logística, controlada por grandes siderúrgicas como Usiminas, CSN, Gerdau e Vale do Rio Doce. O valor não foi informado, mas avaliações indicam em dezenas de milhões de dólares. A companhia afirma que deve escolher o fornecedor, no máximo, até setembro deste ano. “A construção começa no início de 2006 e a operação da correia transportadora está prevista para início de 2008”, diz José Roberto Lourenço, superintendente da MRS em São Paulo. A correia será construída sobre a velha funicular, uma antiga estrada de ferro que funcionou com sistema de cabo de aço (veja ilustração) e que interligou o alto da serra à Baixada Santista. A estrutura foi abandonada depois da construção da cremalheira, em 1976. Hoje, é esta que chegou ao limite.

Atualmente, 11 locomotivas se revezam na descida e na subida da Serra do Mar. A ferrovia, peculiar em relação às demais (tem inclinação de 10 graus, a nova Rodovia dos Imigrantes tem 6), usa um sistema com um terceiro trilho dentado. As locomotivas, desenvolvidas especialmente para o sistema, seguram ladeira abaixo 500 toneladas de carga por viagem. No mês passado, bateram um recorde: transporte de 710 mil toneladas, 402 mil de minério, 51 mil de soja trazida do interior paulista. A previsão para o ano é de uma movimentação de 10 milhões de toneladas.

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Os trens de minério com até 130 vagões vêm de Minas Gerais, passam pelo centro de São Paulo até chegar a Paranapiacaba. A partir daí, a composição começa a ser fatiada para vencer o desnível de 800 metros até o pé da serra. Uma operação demorada e custosa. A situação deve mudar com a correia transportadora. A esteira que serpenteará a Serra do Mar liberará capacidade da cremalheira. “A correia libera pelo menos 5 milhões de toneladas de capacidade do sistema cremalheira. Na verdade, libera os 5 milhões para serem usados com cargas destinadas ao Porto de Santos, hoje um limite suprido pelo transporte rodoviário”, diz Lourenço.

FERROANEL

Não é o único projeto de relevância para o sistema logístico em São Paulo. A MRS acha que há boas chance de conseguir viabilizar o Ferroanel Norte, que ligará a região de Campinas a Itaquaquecetuba. A linha teria 70 quilômetros de extensão e amenizaria um grande “gargalo” da companhia: a necessidade de todos os trens vindos do interior de São Paulo terem de cruzar a capital paulista.

A MRS detém a concessão da Santos-Jundiaí. No entanto, é obrigada a dividir com os trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM ) o uso da linha. A operadora tem liberdade de passagem apenas da meia-noite às 4h. No restante do dia, tem autorização para cruzar a Santos-Jundiaí em alguns horários. É minério, carga geral, que disputa com os frenéticos trens de passageiros que correm em São Paulo a insuficiente infra-estrutura. “Essa situação é uma grande limitação para o crescimento do fluxo de carga. Em breve, terá de haver alguma solução para este problema”, diz Julio Fontana, presidente da MRS.

O Ferroanel Norte é um dos projetos incluídos nas Parcerias Público Privadas (PPPs). As projeções de custo indicam que a obra precisará de R$ 750 milhões. Ela é importante para as pretensões da companhia, ajudando-a a ampliar a captação da chamada carga geral. A MRS, embora controlada por empresas ligadas à cad

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Fonte: O Estado de S. Paulo

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