Um dia após os acenos do governo de que aceitaria renegociar parte das dívidas rurais já roladas entre 1995 e 2001, os produtores começaram a reduzir os bloqueios radicais de estradas, ferrovias e agências bancárias pelo país. Mas avisam que retomarão os protestos se o governo não atender suas reivindicações até a próxima quinta-feira. As ações, que tiveram amplo apoio inicial de lojistas e comerciários, começaram a enfrentar o repúdio em algumas cidades. Alguns radicais tomaram a frente das manifestações e não recuaram após o dia marcado para o protesto, lamentou o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR).
No Paraná, continuaram os locautes em estradas e bancos de algumas cidades. Tratores e caminhões fecharam o centro de Assis Chateaubriand e de Campo Mourão. Em Cascavel, houve protestos mais comedidos na BR 277, que liga o oeste do estado a Curitiba e ao Porto de Paranaguá. Sem bloqueios, algumas praças de pedágio continuaram sob ameaça. Tivemos prejuízos e vamos continuar, disse o presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), José Araújo China da Silva.
Em Mato Grosso, foram suspensas as barreiras em Campo Verde, Nova Mutum e Rondonópolis. Mas continuamos mobilizados até a confirmação do novo pacote de socorro ao setor, disse o presidente da federação estadual de Agricultura (Famato), Homero Pereira. Segundo ele, cidades como Sorriso, Sinop e Alto Taquari ainda sofriam com os cortes nas rodovias. Segundo Gláuber Silveira, vice-presidente da associação dos produtores de soja do Estado (Aprosoja-MT), os manifestantes no interior continuam mobilizados, aguardando o resultado de uma assembléia programada para hoje.
Conforme Silveira, trens estão parados por falta de carga. Como houve abertura das vias em Cuiabá, frigoríficos e granjas da capital contaram com o fornecimento de farelo de soja, mas as esmagadoras ainda temem não conseguir embarcar o produto. Silveira acredita que no máximo 5 milhões de toneladas de soja foram embarcadas. O normal seria, segundo ele, 8 milhões.
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No oeste da Bahia, produtores também ainda bloqueavam duas das principais estradas da região, que ligam o Estado a Tocantins, Goiás e Distrito Federal. Em Goiás, novos protestos contra a política agrícola são preparados para o dia 25. O clima pode ficar tenso e os bloqueios podem ficar piores se nada for feito, avisou o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO). Em Mato Grosso do Sul, os produtores seguem mobilizados à espera dos resultados da pressão feita pelos oito governadores em Brasília.
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