A mobilização de produtores do Centro-Oeste contra a política agrícola atual ganhou esta semana adesões de São Paulo, Sergipe, Alagoas e Goiás, levando para dez o número de Estados envolvidos nos protestos. No Mato Grosso, onde a paralisação de caminhões de cargas em estradas ocorre há 17 dias, começam a faltar alimentos e óleo diesel em algumas cidades.
“Em Rondonópolis começa a faltar laticínios, carne, frutas e hortaliças”, afirmou Luiz Fernando Homem de Carvalho, presidente da Associação Comercial e Indústrial de Rondonópolis. O município, de cerca de 150 mil habitantes, tem a economia baseada na produção de soja, milho e algodão. A maioria dos alimentos vem de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
Segundo Carvalho, as vendas no comércio de Rondonópolis caíram cerca de 30% nos últimos 30 dias, como reflexo da queda na atividade agrícola, da demissão de 100 pessoas que trabalhavam nas fazendas e dos protestos. Hoje, prefeituras de 14 cidades da região concederão ponto facultativo para que o comércio pare durante parte do dia em protesto contra a crise.
Em Primavera do Leste (MT) também já há escassez de óleo diesel e gás de cozinha, segundo Roberto Lemes, presidente da Associação Comercial do município. Na vizinha Campo Verde, avicultores não conseguem entregar a produção de frangos para os frigoríficos de Cuiabá. “Está faltando diesel, gás e produtos perecíveis. A situação está se complicando”, disse Jairo Dezordi, presidente do Sindicato Rural de Campo Verde.
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Segundo dados da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja-MT), as unidades de esmagamento da Bunge e da ADM estão fechadas há mais de uma semana por falta de grãos. As fábricas de Cuiabá também teriam paralisado as atividades desde segunda-feira, segundo Ricardo Tomczyk, diretor da entidade.
No Paraná, produtores estão impedindo a entrada de grãos das empresas. Desde domingo, eles também bloqueiam a linha ferroviária da América Latina Logística (ALL), em Rolândia, disse Francisco Nascimento, presidente da Federação de Agricultura do Estado (Faep). Em São Paulo, produtores do Vale do Paranapanema impedem a saída de grãos de 30 silos nas regiões de Ourinhos e Assis. Também há mobilizações na Bahia, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Rondônia.
Ontem, representantes dos produtores reuniram-se com os ministérios dos Transportes e da Agricultura para pedir medidas que garantam mais rentabilidade à cadeia produtiva. Agricultores devem se reunir de novo com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, na sexta-feira, para avaliar propostas do governo federal. No dia 16, o setor reúne-se com o presidente Lula em Brasília.
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