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Riqueza e desigualdade

A Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN) sustenta que o projeto da Transnordestina vai mudar a vida de uma das regiões mais pobres do País, mas até aqui o avanço do agronegócio no Nordeste não contribuiu para diminuir a exclusão social mesmo nas áreas onde já está consolidado, como o oeste da Bahia e sul do Maranhão. A paisagem urbana de diversas cidades que giram em torno da soja mudou, modernizando-se, mas a miséria não foi extirpada, ao contrário do que se poderia imaginar. Uma das explicações para a manutenção da exclusão social é a escassez de novos empregos no campo. Com a mecanização dos espaços agrícolas, a atividade agropecuária hoje baseia-se na utilização intensiva e quase exclusiva de capital (equipamentos) e tecnologia.


Os pesquisadores sociais que analisaram o fenômeno do agronegócio reclamam que a concentração de renda no campo promove a desigualdade social, com a ajuda das grandes corporações globalizadas que dominam a produção agrícola brasileira. “Toda a modernização ocorreu de forma socialmente seletiva e espacialmente concentrada, mantendo intocáveis algumas estruturas sociais. Assim, acirrou-se a expansão das relações capitalistas e de produção no meio rural, que foi conduzida de forma extremamente excludente, prejudicial à maioria da população rural, à organização territorial e ao meio ambiente, originando no País um crescimento econômico cada vez mais desigual”, explica o pesquisador Tennyson Martins Dantas, no estudo Avanço da Fronteira Agrícola na Amazônia, em que discute o agronegócio no País.


“A concentração de renda é grande na região e nós contestamos esse modelo. Nós inchamos aqui”, reconhece o chefe de gabinete da Prefeitura de Barreiras, Paulo Affonso Leiro Baqueiro, que defende como saída para o problema a busca pela diversificação, com setores como a pecuária de leite e de corte, apoio à agricultura familiar e o estímulo ao associativismo. O gestor público usa a renda per capita para ilustrar como a riqueza é altamente concentrada, especialmente na cidade vizinha Luís Eduardo Magalhães. “Barreiras tem uma renda per capita de R$ 8 mil por ano, com uma população de 140 mil habitantes. Luis Eduardo Magalhães tem uma renda per capita de R$ 20 mil por ano, mas com apenas 40 mil habitantes”, explica.


O secretário de Agricultura de Balsas, no Sul do Maranhão, Márcio Montechese, acredita que o problema da mão-de-obra é insolúvel, tendendo a se agravar com o avanço da tecnologia no campo. “Hoje, com o nível de especialização que o campo requer, se o trabalhador não for um bom tratorista ele vai ficar com os empregos marginais, requeridos na abertura de novas áreas. A falta de empregos, assim, é relativa. Há carência de pessoal especializado, como técnicos agrícolas, operadores de silos e de colheitadeiras. Na administração, há uma boa demanda por contadores e auxiliares administrativos”, compara.

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Confrontada com as situações de desigualdade, a CFN, mesmo reconhecendo que a mecanização do campo ajuda a concentrar renda, prefere destacar o crescimento que as cidades experimentaram ao longo dos últimos anos. “As cidades de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, mesmo tendo uma produção no campo bastante mecanizada, acabam irradiando o desenvolvimento na região. Luís Eduardo Magalhães, por exemplo, era um lugarejo, chamado Mimoso do Oeste. Não havia nada lá. Hoje, tem faculdade e até centro de convenções. Agora eles detêm riqueza”, diz o diretor da CFN, Jorge Mello. “A cidade de Balsas mudou demais. Hoje, já temos cinco hotéis no município. Antes, tínhamos que nos hospedar em motéis”, compara o secretário Márcio Montechese.


No Centro-Oeste, onde o agronegócio já está consolidado, a polêmica não gira em torno da existência da riqueza, mas de sua melhor distribuição, havendo inclusive tensões sociais bastante evidentes. No mês passado, em Goiás, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) realizou um protesto na frente da fábrica da multinacional Monsanto, em San

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Fonte: Jornal do Commercio

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