Última grande obra inaugurada pelo Imperador Dom Pedro II, poucas semanas antes da sua deposição, em 1889, a estrada de ferro que ligou Ouro Preto ao Rio de Janeiro, então a capital do Império, terá seu tráfego restabelecido hoje pelo presidente da República, Luíz Inácio Lula da Silva, depois de desativada por várias décadas. Na verdade, trata-se da reconstrução do trecho que liga duas antigas capitais da província – Ouro Preto e Mariana – numa extensão de 18,7 quilômetros por meio de uma Maria Fumaça, idêntica às dos tempos imperiais. A composição com seis vagões e capacidade para 300 passageiros transportará apenas turistas nos fins de semana, ao preço de R$15,00 por viagem.
A obra teve o custo de R$ 48,5 milhões, inteiramente patrocinada pela Cia. Vale do Doce. O empreendimento contemplou a reconstrução do leito da ferrovia, de quatro estações ao longo do percurso, a aquisição de uma locomotiva a vapor, reforma de vagões, além de várias iniciativas paisagísticas e culturais, como a construção de bibliotecas nas salas de embarque. Para a sua realização, que se estendeu por nove meses, foram contratados 489 empregados.
O trem percorre um trecho de rara beleza, marcado por íngreme subida – de 300 metros – no sentido Mariana – Ouro Preto. As gigantescas montanhas, de onde os portugueses extraíram mais de 700 toneladas de ouro são vencidas por uma corajosa e resfolegante locomotiva que não se intimida com penhascos aterrorizantes que principiam bem ao lado do leito da ferrovia.
A Vale apresentou ontem sua ferrovia numa viagem experimental para jornalistas e funcionários do Palácio do Planalto destacados para organizar as visitas presidenciais. Durante todo o percurso, os passageiros foram informados de detalhes do empreendimento pela secretaria estadual de Cultura, Eleonora Santa Rosa que antes de assumir o cargo em 2005, criou e conduziu o projeto, por encomenda da mineradora. “Trata-se do maior projeto de educação patrimonial já realizado no Brasil”, declarou. Esse tipo de empreendimento segundo explicou, tem o objetivo de desenvolver, simultaneamente as atividades turísticas, educacionais e de preservação do patrimônio histórico e artístico nacionais.
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Segundo ela, o trem vai garantir uma nova e importante atração para o circuito turísticos dessas cidades históricas. Sua operação estará a cargo da Ferrovia Centro- Atlântica (FCA), empresa controlada pela Vale e que já a opera a Maria Fumaça São João Del Rei – Tiradentes, que tem extensão e objetivos semelhantes na ligação entre àquelas outras cidades coloniais mineiras.
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