Um estudo do Morgan Stanley sobre infra-estrutura de transportes no Brasil estima que o país precise de aportes de 10 bilhões a 15 bilhões de dólares no curto prazo, e 450 bilhões de dólares no longo prazo, em rodovias e ferrovias para reverter o subinvestimento do passado e se manter competitivo.
Devido ao baixo investimento histórico do Brasil em infra-estrutura, o país necessita consertar e expandir o que já existe. Segundo o Morgan Stanley, a falta de fundos foi a barreira para o desenvolvimento de estradas e ferrovias, problema que, de certa forma, ainda se mantém. Mas isso pode ser bastante reduzido, alavancando o setor privado para grande parte do investimento necessário.
No entender do Morgan Stanley, o setor privado só não se sentiria atraído por concessões e parcerias público-privadas se houvesse um retrocesso no crescimento econômico, ruído político ou falta de interesse do governo. Mas nós acreditamos que os estímulos para o governo melhorar a infra-estrutura, alavancando o setor privado, superam a tendência à inércia.
A análise macroeconômica do Morgan Stanley mostra um país em condições favoráveis para investimento, com inflação baixa, perspectiva de crescimento razoável, ambiente político saudável (para os padrões brasileiros) e moeda forte. Para os analistas, o governo brasileiro tem a habilidade e o desejo de obter progressos significativos nos
investimentos necessários em infra-estrutura.
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Com foco nos leilões de concessão e nas Parcerias Público-Privadas (PPPs), o estudo aponta que nem todos os projetos são rentáveis, mas mostra soluções experimentadas por alguns Estados, que contornaram os obstáculos através de subsídios que compensam o custo de capital.
No curto prazo, os projetos de infra-estrutura exigiriam de 10 bilhões a 15 bilhões de dólares. A maioria dos investimentos seria para melhorias na infra-estrutura existente de estradas e ferrovias. Os projetos se concentram em necessidades críticas em áreas de alto tráfego, nas regiões Sul e Sudeste, e cobrem apenas 1 por cento da atual rede de estradas.
No longo prazo, a estimativa de investimentos é da ordem de 450 bilhões de dólares em 20 anos. Embora o investimento pareça elevado, ele é metade do PIB de um ano, ressalta o relatório, que estima em 2,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) o investimento anual de capital em nova infra-estrutura de transporte.
Em termos de PPPs, o investimento equivaleria a 0,79 por cento do PIB, alto, mas não inalcançável. A estimativa não inclui conservação e manutenção da infra-estrutura existente, que significaria um adicional de 1 por cento do PIB por ano.
RIVAIS EMERGENTES
O investimento de 0,79 por cento do PIB em PPPs ficaria em linha com outros países emergentes, como a China e a Coréia do Sul, mas abaixo da Rússia, que investe mais de 1 por cento, e bem atrás da Índia, que chega a quase 3 por cento.
Para se manter competitivo em relação a seus pares emergentes, o Brasil precisa investir forte em infra-estrutura. Os custos de logística no Brasil são mais altos que os de muitos países asiáticos. Altos custos de transporte têm o potencial de erodir a posição de baixo custo das exportações brasileiras, destaca o Morgan Stanley.
Mas o descompasso em relação aos concorrentes nem sempre foi assim. Estudos do Banco Mundial mostram que a penetração da infra-estrutura brasileira era maior do que a dos Tigres Asiáticos antes de 1980. Mas, ao gastar menos do que 1 por cento do PIB por ano em infra-estrutura, o Brasil perdeu sua vantagem em relação aos Tigres Asiáticos.
A falta de investimento em infra-estrutura deixou o Brasil com poucas estradas e deteriorou as rodovias e ferrovias existentes.
Uma grande parte da infra-estrutura de transporte do Brasil foi construída nas décadas de 1960 e 1970. De 1,7 milhão de quilômetros de estradas no Brasil, menos de 25 por cento estão em boas condições e ap
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