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ALL demite 2,5 mil na Brasil Ferrovias

Em um mês, a América Latina Logística (ALL) demitiu 2,5 mil trabalhadores da Brasil Ferrovias. Com o corte, o número de funcionários da empresa, comprada em maio, caiu de 4,5 mil para 2 mil em junho. O número foi divulgado ontem junto com os resultados do segundo trimestre de 2006. A ALL informou que, com as dispensas e outras reduções nos custos, como o fim do fornecimento de celulares e carros para a diretoria, pretende economizar pelo menos R$ 80 milhões por ano a partir de 2007.


A ALL estimou gastos de cerca de R$ 400 milhões no processo de reestruturação da empresa adquirida. Desse total, R$ 240 milhões deverão ser usados para pagamentos de indenizações e R$ 150 milhões para capital de giro, em acertos de contas vencidas e antecipações a clientes. Os investimentos de capital previstos são de R$ 250 milhões em 2006. As mudanças e cortes eram esperados, disse o diretor financeiro e de relações com investidores, Sérgio Pedreiro. Ele acrescentou que as demissões foram feitas principalmente na área administrativa.


Embora a Brasil Ferrovias tenha ocupado bastante espaço no relatório, seu resultado não foi consolidado com o da ALL, o que só acontecerá em 2007. Pedreiro disse que, levando-se em conta as manifestações feitas por agricultores em maio, com interdições de estradas e Ferrovias, o segundo trimestre foi melhor que o esperado, com crescimento de 8,1% no volume transportado.


A empresa de logística registrou no período lucro líquido de R$ 79,7 milhões, 131% superior aos R$ 34,5 milhões obtidos no segundo trimestre de 2005, quando o câmbio argentino e a crise na agricultura gaúcha tiveram influência negativa nos números da companhia. A receita bruta foi de R$ 383,5 milhões, com crescimento de 12,6% sobre abril a junho do ano passado.

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Os números da Brasil Ferrovias também foram apresentados. A empresa faturou R$ 247,4 milhões no período e teve prejuízo de R$ 79,2 milhões, 5% superior ao segundo trimestre de 2005. Se os dois resultados fossem somados, ALL e Brasil Ferrovias teriam faturado R$ 630,9 milhões, com lucro de R$ 500 mil. O que se vê agora é a Brasil Ferrovias sem mudanças. Os resultados vão começar a aparecer no próximo exercício, garante o executivo. Em outro quadro, aparece que a dívida líquida da ALL subiu 900%, de R$ 228 milhões para R$ 2,28 bilhões.


De acordo com Pedreiro, quando a ALL assumiu a malha ferroviária do Sul, em 1997, não foi diferente. Foram feitos cortes e mudanças na cultura corporativa, que passou a ser focada em resultados. Entre as metas apresentadas para a Brasil Ferrovias está a de implementar a mesma cultura de controle obsessivo de custos, como diz o relatório. Uma equipe formada por 20 executivos de Curitiba, onde fica a sede da ALL, foi deslocada para a Brasil Ferrovias, em Campinas (SP), para cuidar do processo de integração das empresas.

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Fonte: Valor Econômico

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