A falta de investimentos do governo federal na infra-estrutura e logística foi criticada pelo presidente da Associação Brasileira dos Transportes de Cargas (ABTC), Newton Gibson, durante o VII Congresso Nacional Intermodal de Transportes de Carga, encerrado sexta-feira em Salvador. Segundo o empresário, não há falta de recursos, mas mau gerenciamento dos investimentos. Do ano 2000 até hoje, dos R$ 30 bilhões arrecadados pela Cide, imposto sobre combustíveis, só foram aplicados R$ 10 bilhões na infra-estrutura de transportes, denunciou ele.
Para Gibson, investir apenas 0,2% do PIB na infra-estrutura nacional não atende às necessidades de um país que precisa desenvolver sua economia para gerar emprego e renda para seu povo. A falta de investimentos impede o desenvolvimento nacional, que, para ocorrer, precisa de logística, circulação, afirmou. No caso específico das rodovias, ele destacou que a situação deplorável em que se encontra a malha rodoviária federal encarece em 30% os gastos com manutenção dos caminhões.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas da Bahia (Setceb), Antonio Siqueira, disse que o aumento dos investimentos do governo federal na recuperação das rodovias não é suficiente. Aumentaram de R$ 800 milhões em 2003 para 1 bilhão em 2004, chegando a 3 bilhões em 2005, mas ainda é muito pouco. Para Siqueira, o setor de transportes tem de fazer com que os candidatos à Presidência da República se conscientizem da realidade e incluam em seus programas de governo mais investimentos para o setor.
A urgência de investimentos na estrutura portuária brasileira também foi reclamada pelo presidente da ABTC. Segundo ele, é imprescindível aumentar a dragagem dos portos para que possam operar com equipamentos de grande tonelagem. Do contrário, ficam sem competitividade, disse, enfatizando ainda que as ferrovias também estão carentes de investimentos no Brasil. O governo federal precisa compreender que sem transporte o País pára.
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Além das críticas ao Poder Executivo, o setor de transportes de cargas revelou preocupação com o envolvimento do Poder Legislativo em vários escândalos no manifesto Alerta à Nação. No documento, a ABTC defende o resgate da imagem e das atribuições do Poder Legislativo brasileiro, a consolidação da democracia, o aperfeiçoamento das instituições públicas e a valorização da ética coletiva.
Para Gibson, ao voltar os olhos para o Congresso Nacional, alertando a nação brasileira para a paralisia ali instalada, os transportadores cumprem um dever cívico e buscam, pelo caminho democrático, promover as reformas de que o País precisa. Quando o Parlamento paralisa, a Nação fica sem interlocutor, disse reproduzindo texto do manifesto.
A oportunidade de sediar o evento nacional de transportes permitiu ao governo baiano tornar públicas suas propostas ao Plano Nacional de Logística de Transportes (PNLT) e apresentá-las a representantes do Ministério dos Transportes. Na área rodoviária, as principais reivindicações baianas são a restauração e o aumento da capacidade de tráfego em várias estradas. O estado espera ainda a conclusão das pontes sobre o Rio São Francisco, em Ibó e Carinhanha; e a construção de uma nova ponte em Juazeiro.
No modal ferroviário, as propostas dizem respeito à construção da ferrovia Leste-Oeste, no trecho Luís Eduardo Magalhães-Brumado; a revitalização das linhas centro (Juazeiro-Alagoinhas), leste-norte (Salvador-Divisa BA/SE) e leste-sul (Salvador-Divisa BA/MG); e a construção dos contornos de São Félix-Cachoeira (já anunciada), de Santo Amaro, Candeias e Alagoinhas. Espera-se também a implantação da ligação Camaçari-Aratu, do ramal de Feira de Santana e dos acessos aos portos de Juazeiro, Dias Branco (Aratu) e Salvador.
Na área portuária o secretário estadual de Infra-estrutura, Claudio Melo, reivindica um novo terminal de contêineres no Porto de Salvador e de um terminal de cruzeiros marítimos para
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