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História de crise não é exclusiva de aérea

A Varig pode ser a maior, mas não é a única empresa a lutar pela sobrevivência neste momento. Outras tentam driblar a crise, evitar o fechamento e continuar no mercado. Algumas já foram tradicionais no seu setores, como CCPL (laticínios), Santa Matilde (material ferroviário) e Haga (fechaduras e ferragens). Em estágios diferentes, essas empresas, e a própria Varig, tentam ressurgir mais enxutas e viáveis.


Criadora há mais de duas décadas da marca “longa vida”, hoje em domínio público, a CCPL (Cooperativa Central dos Produtos de Leite) foi minguando progressivamente, afundada em dívidas e execuções de bens, até parar em 2002. No último mês de abril, a unidade instalada em São Gonçalo, Niterói, voltou a produzir, depois de uma operação de venda de créditos acumulados de ICMS, autorizada pelo governo estadual.


“A empresa foi vítima de má gestão. Foi chegando a um ponto de execuções, penhoras e arrestos. Não conseguia cumprir os compromissos. Simplesmente parou”, conta o atual diretor operacional, Flávio Tavares Fernandes, que integra o conselho de administração judicial. Ele explica que os créditos foram vendidos com deságio, uma parte foi aplicada na indústria e outra ficou com as cooperativas que formam a CCPL.


Hoje, trabalham 180 pessoas na mesma fábrica que, no passado, chegou a empregar 500 pessoas. Um deles é Edival Marins, 50 anos, que tinha 23 anos na empresa, quando a CCPL parou. “Não tinha mais emprego para mim no município. Fui para outro, a 100 quilômetros de distância”, conta.

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A CCPL voltou a produzir, mas mantém a pesada dívida de R$ 150 milhões. Mesmo assim, quer buscar a liderança no mercado do Rio em 2007 e alcançar o de São Paulo. Além do leite, a meta é oferecer leite em pó, iogurtes e bebidas lácteas.


Num estágio anterior, em Três Rios (RJ), a Companhia Industrial Santa Matilde, cuja falência foi decretada em outubro do ano passado, vislumbra a chance de ser transformada num distrito industrial, voltado ao setor ferroviário. O secretário local de indústria e comércio, Julio Cezar Rezende, conta que a MRS Logística e a Amsted Maxion já demonstraram interesse em entrar no projeto.


A MRS informa que o projeto inclui a construção de uma oficina de material rodante, para atender à demanda do setor. Entre as maiores fabricantes de material ferroviário do Brasil nos anos de 1970, a empresa chegou a empregar 4 mil pessoas. O próprio síndico da massa falida, João Batista Sales, conta que o processo judicial caminha lentamente, o que prejudica uma outra alternativa.


Na Varig, a solução foi a divisão da empresa em duas. Uma parte ficou com as dívidas e alguns ativos, dentro da recuperação judicial. A outra, com a quase totalidade das operações, foi vendida. O novo dono manterá, inicialmente, 1,7 mil dos quase 10 mil empregados, com promessas de futura expansão no quadro de pessoal.


Em concordata desde 1989, a Haga Indústria e Comércio, em Friburgo, passou a operar no sistema de autogestão. Depois de um período inicial com participação sindical na administração, chegou-se a um acordo entre o antigo dono e funcionários da empresa para que 72,7% do capital votante da companhia passassem para as mãos da Associação de Funcionários da Haga, desde 1993. Os votos levam em conta o tempo de casa dos funcionhários.


O presidente da regional da Firjan no município, Cláudio Tangari, conta que no caso da Haga, a Justiça se antecipou ao que determina a Lei de Recuperação Judicial e manteve a empresa operando. Sem crédito, a empresa foi acumulando capital para investir no necessário, depois do processo de reestruturação, que incluiu, por exemplo, a desativação da fundição.

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Fonte: O Estado de S. Paulo

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