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Metrô: expansão urgente

Jurandir Fernandes*


Na semana passada, especialistas de diversos países discutiram em São Paulo um tema muito importante para a população mundial: a qualidade do ar que se respira nas grandes cidades, sobretudo da América Latina. Um aspecto foi consensual: a questão relativa ao transporte tem um peso significativo, pela quantidade de poluentes que os veículos despejam todos os dias na atmosfera.


Estudos revelam que os transportes constituem a maior fonte de gases de efeito estufa no Município e a maior parte vem dos automóveis que utilizam gasolina. Essas constatações nos remetem à necessidade de investir cada vez mais no transporte coletivo, que, ao substituir carros por trens, metrôs e ônibus, contribui para um ar mais respirável.


Só essa já seria razão suficiente para os esforços que o Estado de São Paulo vem fazendo ao investir nos transportes sobre trilhos, que receberam quase US$ 3 bilhões nos últimos 12 anos. Mas existem outras igualmente importantes, como o intenso deslocamento de pessoas em veículos individuais entre os 39 municípios da Região Metropolitana, causando quilômetros de congestionamentos diários em São Paulo e nas rodovias que lhe dão acesso, que, além da perda de tempo, incluem a perda de mais de 1.500 vidas por ano, apenas na capital.

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Muito já se fez, melhorando a qualidade dos serviços de trens da CPTM, adotando padrões tecnologicamente avançados para os ônibus metropolitanos e aumentando a rede de metrô – transporte moderno, eficiente, rápido e em processo de plena integração por meio da bilhetagem eletrônica. O resultado é o reconhecimento da população, que nas pesquisas periódicas dão notas altas ao sistema metroferroviário e aos corredores de ônibus metropolitanos.


Muito há ainda que fazer, e nós sabemos disso. É preciso mais metrô? Mais trens? Mais corredores de ônibus? Sim. Mas é importante que se saiba que isso tem custo. Para se ter uma idéia, um quilômetro de metrô está em torno de US$ 100 milhões. Apenas a Linha 4 prevê investimentos da ordem de US$ 1,262 bilhão em seus 13 quilômetros de extensão.


É uma obra fundamental para o futuro de São Paulo, pois fará a interligação com três das quatro linhas do metrô já em operação e com cinco linhas de trem da CPTM, unindo centro e periferia da Região Metropolitana, permitindo que milhões de pessoas possam usufruir os benefícios do bilhete único e da integração gratuita trem-metrô. É trabalho de planejamento, com visão de longo prazo.


Uma vez que municípios, Estados e governo federal não têm recursos suficientes para os investimentos, que incluem, além da construção da linha, adquirir os trens e gerenciar o sistema, é necessário que se recorra à parceria com a iniciativa privada. Outros projetos, tanto do governo de São Paulo quanto do governo federal, também estão sendo elaborados sob esta perspectiva.


Por esta razão, o Estado de São Paulo e a União aprovaram, em 2004, leis instituindo as Parcerias Público-Privadas (PPPs), saudadas como uma nova alternativa de desenvolvimento para o País.


E é bom que se diga, isso não ocorre só no Brasil. A China está construindo com sucesso uma linha de metrô em Pequim com 70% de capital do Estado e 30% de capital privado, numa concessão de 30 anos ao setor privado. Lá, como cá, também caberão ao setor privado os investimentos em sistemas de comunicação, sinalização e de todo o material rodante. Lá, como cá, o Estado chinês arcou com os custos de desapropriação e está bancando as obras civis.


Diante disso é preciso perguntar: a quem interessa que não se concretize a primeira PPP do País, a Linha 4 do metrô de São Paulo?


A questão é esta: é necessário expandir a rede do metrô. O governo do Estado, sozinho, não tem recursos suficientes. Existem leis que permitem a parceria com a iniciativa privada. A licitação que vem sendo realizada pela Companhia do Metrô está estritamente dentro das normas estabelecidas. Há disponibilidade de

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Fonte: O Estado de S. Paulo

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