Com a fuligem sobre os rostos, mas sem perder o sorriso largo, os maquinistas José Ferreira de Paula Sobrinho, 60 anos, e Aparecido Gonçalves Filho, 55, mais conhecidos por Caçapa e Ligeirinho, deram uma pausa na aposentadoria e fazem dobradinha no comando da terceira locomotiva mais antiga do Brasil, que recebeu o nome de Maria Inês. A charmosa Maria-Fumaça foi construída em 1867 pela empresa britânica SPR (São Paulo Railway) e recuperada recentemente, tornando-se a mais nova atração turística do Museu Tecnológico Ferroviário, da vila de Paranapiacaba, em Santo André, coordenado pela ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária).
Apesar de o trajeto da locomotiva compreender apenas um quilômetro, os experientes condutores possibilitam aos passageiros o regresso ao túnel do tempo, ao entrar em um vagão de madeira de primeira classe também recuperado de 1914, com capacidade para 60 pessoas. Ao acionarem o apito potente da Maria-Fumaça, mostram ao que vieram. O trajeto de ida e volta é realizado entre a parada em frente ao Museu até o início do quinto patamar na Serra do Mar, que, em dias de pouca neblina, possibilita a vista panorâmica da Baixada Santista.
Estou emocionado, vendo essa velha senhora em funcionamento. Foi bom ser recuperada, para que hoje a juventude possa ver como é essa máquina. Se não tivesse incentivo, ela estaria obsoleta, garante Dorival Sebastião, 65 anos,o sinalizador da RFFSA (Rede Ferroviária Federal) aposentado, que esteve presente na inauguração do passeio, no último dia 29.
Veteranos dos trilhos
Para o experiente Ligeirinho, como o próprio apelido já sugere, operar a locomotiva é um prazer. O simpático maquinista conta que recebeu o codinome por fazer em 23 minutos o percurso do trem expresso de Santos a São Paulo. De 1979 a 1983, conduzi a locomotiva na Serra do Mar, que funcionava com a tração do cabo de aço. Depois operei o modelo a diesel. Foram 20 anos nessa vida e me aposentei ano passado, conta saudoso. Nos últimos anos, divide a tarefa de operar a locomotiva do Museu do Imigrante, no bairro do Bresser, em São Paulo. Fiquei contente em operar a Maria-Fumaça em Paranapiacaba. Trabalhar no que eu gosto. É uma emoção que fica guardada dentro do coração, confessa Ligeirinho, também morador de Rio Grande da Serra.
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O companheiro de profissão, Caçapa, carrega também bagagem histórica respeitável. O maquinista conta que sua relação com a ferrovia é de quase três décadas. Chegou a trabalhar na pioneira empresa ferroviária inglesa São Paulo Railway e, depois, na RFFSA. A estatal foi privatizada em 1996 e seu escritório regional de São Paulo está em processo de liquidação, desde 1999.
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| Os maquinistas Caçapa (esq.) e Ligeirinho |
As recordações são muitas, segundo ele, dos tempos em que preparava café na fornalha da locomotiva. A bebida chegava a borbulhar. Operei a máquina a vapor, de São Paulo ao Rio de Janeiro, que depois passou a diesel. Atualmente, estava também conduzindo a locomotiva no Museu do Imigrante, diz à reportagem do Repórter Diário.
Com uma fala mansa, o maquinista afirma que está feliz em participar de um projeto que apresenta às novas gerações o que é uma máquina a vapor. Isso é muito importante para que não se perca a memória da ferrovia, considera.
Homenagem vida
Segundo o diretor da ABPF, Elias de Araújo, a terceira locomotiva mais antiga do Brasil recebeu o nome de Maria Inês, em homenagem à museóloga Maria Inês Mazzoco, que foi coordenadora de Preservação do Patrimônio Histórico da RFFSA durante 30 anos.
A locomotiva pertenceu à britânica São Paulo Railway, que criou a vila de Paranapiacaba, no século XIX. A máqui

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