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Seguro poderá ficar mais caro em setembro

As concessionárias de ferrovias no Brasil enfrentam um sério problema na hora de comprar seguro, muitas vezes uma exigência do contrato de concessão ou do financiamento para a aquisição ou arrendamento de locomotivas, vagões ou obras de ampliação. Os preços são altos, as franquias astronômicas e, ainda assim, falta apetite das seguradoras na hora da negociação. No Brasil, praticamente três operam com o setor, Unibanco-AIG, AGF Seguros e Bradesco Auto RE.


O setor trouxe perdas gigantescas para as seguradoras desde o início das concessões, há oito anos, diz Luiz Naganime, da Unibanco-AIG. Antes da privatização, as ferrovias estavam em situação precária e com isso o registro de acidentes foi enorme nos últimos anos.


Segundo Luciano Calabró Calheiros, diretor de riscos de engenharia e riscos operacionais da AGF Seguros, hoje a situação está melhor, mas longe de tornar o setor atrativo. É uma atividade que tem freqüência alta de sinistros e com valores elevados. É preciso muito investimento para melhorar o risco de acidentes, o que poderia fazer o preço do seguro baixar.


É um mercado no qual atuamos pouco, voltado ao seguro do transporte da carga. Porém, estamos observando e acreditamos que ferrovias podem se tornar um nicho interessante no futuro pelos investimentos que estão sendo feitos, diz Vanderlei Bittencourt Ravazzi, gerente de Under Marine e Aviation da Itaú Seguros.

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A Unibanco estima que o setor movimente prêmios de seguros de R$ 250 milhões por ano, sendo ela a líder, com cerca de 35% do mercado. As operadoras de carga movimentam hoje 6,5 mil vagões pertencentes a clientes e à empresas de leasing.


A AGF atua de forma restritiva. Entre as grandes concessionárias, tem as contas da MRS e da ALL. É um seguro de longo prazo. Quanto mais se conhece a operação, mais chance temos de oferecer um pacote de seguros melhor.


A Bradesco Auto/Re tem contrato de seguro de cinco das principais empresas do setor de ferrovia. Oferece cobertura de seguros para as chamadas vias permanentes, isto é, os trilhos, vagões e locomotivas. Mas é na área de transporte de cargas que o grupo tem mais destaque.


Todos são unânimes em dizer que é um seguro complexo, pois envolve modalidades de distintas de riscos. Há o seguro do patrimônio da concessionária, como linha férrea, locomotivas, vagões, armazéns e centros administrativos, além do que eles chamam de obras de arte, que são pontes, viadutos e túneis. Em uma fábrica, você manda um engenheiro e ele leva um ou dois dias para mapear o risco do contrato. Em ferrovias, com milhões de quilômetros de trilhos, que passam por uma infinidade de cidades, pontes, fica muito complexo para mapear o risco, diz Calheiros, da AGF.


O seguro de responsabilidade civil, que cobre danos causados pelas concessionárias a terceiros, já era caro e, a partir de setembro, parece ficar inviabilizado para o setor, se nada for feito. A partir de setembro, o IRB Brasil Re, único ressegurador autorizado a operar no País, não aceitará mais a cobertura de responsabilidade civil dentro do contrato de property. Terá de ser feito à parte. Com a morosidade da Justiça, há muitos processos em aberto solicitando indenizações às concessionárias. Dificilmente uma seguradora irá operar com a carteira, pois não tem como mensurar o risco e, consequentemente, o preço, explica Naganime. Ainda assim há o temor de se criar jurisprudência e isso poderia gerar perdas milionárias para as seguradoras no longo prazo. 


Para Nagamine, o mercado é criativo e as soluções aparecerão. É possível fazer combinações interessantes e criar exclusões para viabilizar o contrato para as duas partes, diz.

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Fonte: Gazeta Mercantil

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