Pode-se afirmar que a privatização das ferrovias trouxe benefícios generalizados, até mesmo para o grande contingente que trabalhava nos tempos em que os trilhos eram estatais. Explica-se: o pagamento feito pelas empresas à União a título de concessão costuma ser bloqueado por ações trabalhistas e, com isso, acaba irrigando os bolsos dos trabalhadores excluídos no processo de desestatização.
Nos últimos 10 anos, tempo passado desde a privatização, as ferrovias mostram um balanço de ganhos também para concessionárias, usuários e ao País. O início, diga-se, foi tímido em investimentos. Mas, o quadro mudou: se nos primeiros anos de gestão privada os recursos anuais patinavam na casa R$ 300 milhões, em 2005 alcançaram R$ 3,4 bilhões.
O maior investimento tem sido canalizado para o chamado material rodante. Em 2005 este item ficou com R$ 2,1 bilhões, 60% do total. Há concessionárias que montaram interessante parceria: os usuários entram com recursos para a compra de vagões, valor que é descontado nos fretes. Além de impulsionar recursos e estimular a indústria de material ferroviário – durante décadas abandonada no País -, a parceria serviu para arrebanhar clientes naturais do transporte ferroviário.
Da frota de 68 mil vagões em 2002, o número pulou para 90 mil ano passado, expansão de 33%, inimaginável nos tempos em que os trilhos eram operados por estatais. As locomotivas, no período, passaram de 1,9 mil para 2,4 mil máquinas, crescimento de 26%.
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As operadoras privadas rapidamente se ajustaram à atividade e expandiram o negócio. Assim, se em 1997 elas transportaram 253 milhões de toneladas úteis, ano passado movimentaram 389 milhões de toneladas, um crescimento acima de 50%. No quesito que multiplica a carga transportada pelos quilômetros úteis (o chamado TKU), o desempenho foi ainda mais notável: 60% de crescimento na mesma comparação de período.
E, se antes, em mãos estatais, o futuro era incerto para a carreira ferroviária, com o advento da privatização, a esperança renasceu. Prova está no quadro de pessoal: 28 mil funcionários em 2005, quatro vezes mais em relação ao efetivo que as concessionárias tinham em 1997, primeiro ano da gestão privada.
É fato que apesar dos avanços, as ferrovias ainda têm dificuldades de acompanhar o crescimento do País e expandir a participação dos trens na matriz de transporte, inferior a 25%.
Seja como for, a ferrovia, que viveu inércia de longos anos – e, com isso, perdeu cargas e participação – ressuscitou com a gestão privada. Um dos exemplos é a volta de muitos embarcadores, que, embora tivessem o trem à sua porta, não vinham utilizando os trilhos.
Os concessionários, vez por outra, alegam que não são donos das ferrovias e, que, por isso, investimentos em via permanente deveriam ser aportados pelo dono, o governo. Trata-se de uma discussão que ao longo dos anos esfriou, até porque a capacidade de investir dos governos é paupérrima e o usuário não quer entrar na fila de espera para movimentar sua carga.
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