As horas passavam e os corredores da feira “Negócios nos trilhos”, que já havia aberto os portões ao público, estavam vazios. Palestrantes e visitantes de todos os cantos do Brasil e de outros países estavam presos nos aeroportos à espera da liberação dos vôos.
Atrasados em função do caos aéreo não conseguiam se deslocar até o Expo Center Norte, em São Paulo, onde o evento do setor ferroviário foi realizado de 23 a 25 de outubro. A piada nos corredores entre os que conseguiram chegar era uma só: “Se fosse de trem, isso não aconteceria”.
O transporte de passageiros é para lá de tímido no Brasil. Um país de dimensões continentais, que poderia ser ligado de um ponto a outro por trilhos, como acontece em toda a Europa, conta com pouquíssimas linhas nos principais centros urbanos. E nenhuma delas é interestadual. No transporte de cargas, esta realidade começa a mudar. Basta dar uma conferida nos números de 2007, que deverá fechar com investimentos da ordem de R$ 3,5 bilhões, valor 58% maior do que o destinado no ano anterior.
Desde que começou a vigorar o modelo de concessão, em 1997, a iniciativa privada aplicou R$ R$ 11,8 bilhões. Somados os recursos deste ano, o montante chega a R$ 15,3 bilhões. O resultado foi o aumento de quase 70% da produção ferroviária nacional, que passou de 137,2 bilhões de tonelada por quilômetro útil transportada (TKU) em 1997 para 232,3 bilhões de TKU em 2006.
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Os recursos se destinam, principalmente, para a aquisição e recuperação de material rodante, melhorias na via permanente, introdução de novas tecnologias, capacitação de pessoal e campanhas educativas de segurança.
Em 1997, quando as concessionárias assumiram as operações antes de responsabilidade da recém-extinta estatal RFFSA, as ferrovias contavam com 43.796 vagões para operar, sendo que 42% estavam sucateados. Neste ano, a frota de vagões deve ultrapassar 90 mil unidades. Segundo levantamento da ANTF, das 1.144 locomotivas em atividade na época, 30% estavam em péssimo estado de conservação. Em 2006, o setor contava com 2.227 locomotivas com potência superior a 3.600 HP (em 1997, era em torno de 2.000 HP).
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