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O bonde elétrico em RS faz cem anos

Porto Alegre celebra hoje o centenário de um salto tecnológico no transporte coletivo. Em 10 de março de 1908 eram aposentadas as simpáticas mulas que tracionavam os bondes, às vezes sujando as ruas com tortas de esterco. Surgiam os flamantes e confortáveis veículos elétricos da Carris.


Desde 1873 que o transporte coletivo da Capital era movido a suor animal. Em 1906, as duas empresas de bonde – a Carris de Ferro e a Carris Urbanos – se uniram e fundaram a Companhia Força e Luz Porto-Alegrense, responsável pelo fornecimento de energia. Em dois anos, a cidade ganhou rede elétrica aérea e adaptações nas linhas férreas. Ao mesmo tempo, os lampiões a gás era trocados por lâmpadas incandescentes.


Era a modernidade do século 20 chegando. A primeira linha elétrica a circular foi a Menino Deus: saía da sede da Carris (na época, ficava na Avenida Redenção, hoje João Pessoa) e terminava na Avenida Treze de Maio (atual Getúlio Vargas). Fazia o mesmo trajeto do bonde puxado a mula.


Os bondes elétricos se multiplicaram, passando a atender as linhas Glória, Partenon, Teresópolis e Independência. A Carris importou 37 carros da Inglaterra. Dois tinham dois andares – logo foram apelidados de Chope Duplo. Carregavam 60 pessoas, enquanto o modelo simples acomodava entre 20 e 30 passageiros sentados. A velocidade máxima atingia 15 km/h.

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Andar de bonde era chique e seguro. Conferia um ar europeu aos gaúchos. Entre 1925 a 1946, a Carris ampliou a frota, adquirindo 161 bondes elétricos, dos Estados Unidos e da Bélgica.


O auge do glamour foi nas décadas de 50 e 60. A Carris operava com 229 carros – norte-americanos, ingleses e belgas – , o que tornava Porto Alegre dona de um dos maiores acervos de bondes antigos em circulação.


Assim como os burrinhos, os bondes elétricos também foram dispensados. Perderam lugar para os ruidosos ônibus, mais espaçosos e rápidos. A metrópole tinha pressa. Então, às 9h30min de 8 de março de 1970, o prefeito Thompson Flores decretou o fim do bonde. Para compensar a tristeza, permitiu que a população se despedisse, num “passeio da saudade”, sem pagar. Restavam somente três linhas quando soou o último apito.


Atualmente, a prefeitura cogita reativar uma linha de bonde, mas com finalidade turística e histórica, restrita a alguns horários, na área central.

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Fonte: Zero Hora (RS)

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