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Empreiteiras ganham mina da Vale na Argentina

Em contagem regressiva para executar um megaprojeto de exploração de sais de potássio, a Vale abre o caminho para novos negócios das empreiteiras brasileiras na Argentina. O investimento é estimado em US$ 4,2 bilhões e deverá ser aprovado em novembro pelo conselho administrativo da empresa. Devido à magnitude do projeto, a Vale o dividiu em três grandes pacotes de obras, que serão distribuídos a Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez.


Todas elas já têm negócios na Argentina, mas consideravam o empreendimento da Vale essencial para expandir sua atuação no país. “Pela duração, pelo valor e pela importância do cliente, é um contrato da maior importância para as nossas operações”, afirma o diretor-superintendente da Odebrecht em Buenos Aires, Flávio Faria. Ele não revela os números do contrato.


O empreendimento consiste na exploração inicial de 2,4 milhões de toneladas por ano de cloreto de potássio, a partir de julho de 2013, podendo crescer gradualmente até 4,3 milhões de toneladas/ano. Praticamente toda a produção será exportada, sobretudo para a fabricação de fertilizantes no Brasil, o que deverá transformar a Argentina em um dos cinco maiores vendedores mundiais do insumo. A agricultura argentina, devido às características do solo, não usa esse tipo de fertilizante. Pela cotação média da tonelada de US$ 300 – estimativa conservadora -, serão US$ 700 milhões anuais em exportações.


A instalação da mina em si faz parte do primeiro conjunto de obras e caberá à Odebrecht. “Já estamos trabalhando no planejamento e na engenharia de detalhes”, diz Faria. Envolve movimentação de milhares de toneladas de estruturas metálicas, construção e montagem dos edifícios que abrigarão os equipamentos, instalação das redes de tubulação e das caldeiras. A perspectiva é de que comecem entre janeiro e fevereiro. A construtora também vai supervisionar a colocação de correias suspensas para escoar o minério.

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Localizado no sopé da Cordilheira dos Andes, o projeto do rio Colorado terá um longo caminho a percorrer até o litoral argentino. A Camargo Corrêa entrará na parte logística. Primeiro, a cimenteira Loma Negra (sua controlada) cedeu à Vale 700 km da Ferrosur, ferrovia que chega até Bahía Blanca, na Província de Buenos Aires.


O trecho, cedido por cerca de US$ 60 milhões, equivale a 20% da malha sob sua concessão e atendia apenas uma fábrica da cimenteira, que continuará tendo garantia de passagem. A Camargo se encarregará da restauração de cerca de 500 km de trilhos e da construção de um novo ramal, de 368 km, para assegurar ligação da mina com o resto do sistema ferroviário argentino.


O terceiro conjunto de obras ficará com a Andrade Gutierrez, que construirá um terminal próprio da Vale no porto de Bahía Blanca, município industrial que abriga as maiores petroquímicas do país. O terminal poderá receber navios de tamanho Panamax – largura de até 32,3 metros e calado de até 12 metros, medidas máximas para atravessar o Canal do Panamá – e movimentar 1.600 toneladas por hora. Esse pacote engloba ainda a construção de uma unidade de compactação, que fará a granulação do cloreto de potássio e poderá comprimi-lo para o embarque.


O diretor da Andrade Gutierrez na Argentina, André Lima de Ângelo, ressalta a importância do projeto para a carteira de obras do grupo. A construtora voltou ao país em 2007, sete anos após uma presença discreta, apenas com um escritório de representação. No ano passado, ganhou duas licitações: uma da Província de Córdoba e outra da cidade de Buenos Aires.


Em todos os casos, a Vale tem um contrato de aliança com as empreiteiras para a primeira etapa do projeto, que envolve as avaliações de engenharia. Os detalhes finais dos contratos serão discutidos até o fim do ano. Não fazem parte do pacote acertado outras obras prioritárias, como um aeródromo com pista de 1.800 metros, duas estações transformadoras de energia e uma linha de transmissão com 120 km.

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