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Santos mais preparado para a safra agrícola

Diferentemente do que ocorreu em 2010, o pico dos embarques da safra agrícola no porto de Santos deve acontecer sem grandes transtornos neste ano. Além da redução dos embarques dos volumes de açúcar – a principal carga movimentada no complexo -, os terminais marítimos adotaram algumas melhorias para ampliar a capacidade operacional, o que promete melhorar a situação.


“A infraestrutura para embarcar está melhor. Este ano os terminais investiram um pouco mais em recepção. Além disso, existe mais capacidade. Por exemplo, o terminal da ADM não funcionou no ano passado para açúcar, então é um porto a mais”, afirma o trader da LDC SEV Group, Carlos Frederico Franco, citando ainda o novo terminal da Noble Group, uma das maiores tradings globais da cadeia de suprimentos agrícolas, inaugurado no ano passado.


Segundo a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Santos deve exportar neste ano 16,352 milhões de toneladas da commodity, ante 19,410 milhões de toneladas no exercício passado. A redução acompanha a quebra da produção de cana-de-açúcar. Conforme a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), a projeção é de 32,38 milhões de toneladas do granel sólido, queda de 6,36% em relação à primeira estimativa.


Com perspectiva de embarcar mais de 55% (ou 9 milhões de toneladas) do total de Santos, a Rumo Logística está aumentando a capacidade de armazenagem e alterando a matriz de transporte que leva o seu açúcar ao porto. Braço do maior grupo sucroalcooleiro do país, a Cosan, a empresa triplicará a capacidade de um de seus armazéns no cais até o fim do ano, para 100 mil toneladas. E promete encerrar o exercício com metade dos volumes chegando ao porto por ferrovia. Em 2010, apenas 20% das quase 8 milhões de toneladas exportadas pela Rumo foram transportadas ao porto sobre os trilhos.

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Segundo o diretor da empresa, Carlos Magano, o trem está inserido num contexto de maior planejamento. “É uma situação de maior planificação, de mais prazo, e que não causa surpresa”, afirma o executivo. Justamente, para a Codesp a melhor forma de evitar os transtornos nos acessos viários e as filas de navios é “planejando, de forma eficiente, a remessa do produto para os terminais portuários, sincronizando-a com a chegada de navios”.


Dados da estatal coletados juntos aos terminais apontam que mais da metade do açúcar (ou 8,925 milhões de toneladas) a ser exportado por Santos chegará ao porto por ferrovia. No ano passado, apenas 26% das 19,410 milhões de toneladas da commodity que saíram por Santos usaram a ferrovia como acesso ao cais.


No caso da Rumo, a migração do açúcar para os trilhos e as melhorias portuárias fazem parte de um projeto de investimento avaliado em R$ 1,3 bilhão. Só no porto, são R$ 250 milhões. Uma das maiores apostas da companhia para ampliar os tempos de operação, porém, ainda não tem prazo para ficar pronta. Trata-se do projeto de cobertura entre o terminal e o costado, para que os embarques não sejam interrompidos pela chuva. “A cobertura está atualmente dependendo de licenciamento na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq)”, diz Magano.


Para ele, o atraso da colheita da safra também está contribuindo para uma temporada de embarques com crescimento paulatino. “Diria que foi fortuito. Normalmente saímos quase de um movimento nulo e vamos para enormes 25 mil toneladas por dia logo de cara. Até o meio desse ano, tivemos processo de crescimento mais amortizado, com picos de 10 mil, 15 mil, 20 mil toneladas. Outra questão é que este ano está sendo menos chuvoso do que o anterior, isso também é muito favorável.”

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