A exploração imobiliária em torno da futura linha do Trem de Alta Velocidade brasileiro foi tema de seminário na 14ª edição da Feira Negócios nos Trilhos, na última quinta-feira (10/11). A palestra teve como foco as possíveis áreas de exploração do mercado imobiliário e as formas de investimentos que estão sendo estudadas por empresas e entidades nacionais e internacionais para desenvolver estas áreas urbanas.
Primeiro a discursar, Guilherme Quintella, presidente da EDLP e delegado da Union Internationale des Chemins de Fer (UIC), falou sobre a criação do fundo de investimento em cotas, TAV Brasil. O fundo, constituído por outros dois fundos (um imobiliário e outro de participações), vai captar R$ 4 bilhões – R$ 2,5 bilhões em cinco anos – para investir na revitalização e no desenvolvimento dos espaços urbanos limítrofes à linha de alta velocidade.
A criação do fundo é uma parceria entre a Estação da Luz Participações e o banco Credit Suisse. Os investimentos terão a participação de empresas privadas, do Etav e do CEPAC (Certificado de Potencial Adicional de Construção).
De acordo com Quintella, os investidores obterão como retorno remunerações compatíveis com as práticas de mercado. O presidente da EDLP ressaltou que a independência na gestão do projeto deve permitir uma maior participação das incorporadoras. Além disso, as três principais áreas de construção (Rio de Janeiro, Campinas e São Paulo) têm alta densidade populacional e econômica, o que minimiza os riscos de construção e operação do projeto.
Para falar sobre as oportunidades e benefícios que o sistema de alta velocidade propicia, a organização da NT trouxe ao seminário, representantes envolvidos com projetos de TAVs internacionais. Todos eles acrescentando sua expertise à discussão da implantação do sistema no Brasil. Caso do sul-coreano Jun Seog Ko, da Korean Rail Network Authority, que apresentou a evolução do entorno das ferrovias de alta velocidade do país asiático.
O francês Nicolas Bouchoud, assessor da presidência da AREP – subsidiária da SNCF para arquitetura e urbanismo -, também citou a importância do TGV Atlantique para a revitalização do cenário urbano francês. O executivo destacou que a multimodalidade também é um fator essencial a este desenvolvimento.
Último a discursar, o diretor internacional da INECO, Jose Anguita, lembrou que, por haver uma divisão na licitação do TAV brasileiro – a primeira fase voltada para tecnologia e operação e a segunda para obra civil e via permanente – é necessário que haja um diálogo entre as empresas vencedoras em cada uma das fases, visando a criação de um projeto integrado e funcional.
O diretor da Revista Ferroviária, Gerson Toller, fez as considerações finais seguindo o pensamento de Anguita e questionando a falta de uma equipe do governo federal para pensar o projeto TAV como um todo.
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