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Isolux aposta em linhas de transmissão e estradas

O grupo espanhol especializado em infraestrutura Isolux Corsán está se preparando para disputar novos contratos de concessão no país e ampliar sua atuação em transportes e energia no Brasil. Em entrevista ao Valor, o presidente mundial da Isolux Corsán, Antonio Portela, diz que a companhia irá analisar todos os nove editais de estradas a serem publicados pelo governo federal ainda neste ano.


O foco em transportes é o Programa de Investimentos em Logística, anunciado pelo governo no ano passado e que prevê a licitação de todos os empreendimentos de rodovias em 2013. Ao todo, os projetos exigiriam um investimento da ordem de R$ 42 bilhões, capitaneados pela iniciativa privada, sendo um total de R$ 23,5 bilhões somente nos primeiros cinco anos de concessão.


Apesar das múltiplas oportunidades no setor, a companhia dedicará esforços para conquistar somente parte dos projetos. Portela diz que o objetivo da companhia é ser majoritária nos consórcios ou ter a mesma participação dos demais sócios.


Atualmente, a área de concessões da empresa participa da operação de 680 quilômetros de rodovias no Estado da Bahia, por meio da empresa ViaBahia. A Isolux controla o negócio (com 55%), que também tem como acionistas a Encalso (23%) e a Engevix (22%) – segundo informações da associação do setor. A licitação foi vencida em 2009 e envolve o trecho da BR-324 entre Salvador e Feira de Santana e outro trecho da BR-116 entre Feira de Santana e o Estado de Minas Gerais. Ainda em fase de investimentos, a companhia gerou R$ 13 milhões de lucro líquido em 2011 no país.

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Ainda na área de transportes, o presidente da multinacional descarta a ideia de ser concessionário de outros tipos de negócio, como ferrovias ou trem de alta velocidade (TAV). Mesmo assim, Portela vê com interesse a possibilidade atuar nesses projetos como um prestador de serviços na parte de construção.


A necessidade de capital, segundo o executivo, foi sanada por ora com a compra de 20% das ações da unidade de infraestrutura do grupo pelo fundo de pensão canadense Public Sector Pension Investment Board, que planeja investir cerca de € 500 milhões na filial de concessões. Com o aporte adicional de € 100 milhões feito pelo próprio grupo Isolux, a operação atingiu o valor de € 600 milhões em aumento de capital.


A empresa espanhola chegou a iniciar o processo de uma oferta pública inicial de ações da subsidiária de concessões, a Isolux Infrastructure, na bolsa paulistana. Mas mudou os planos e optou pela venda ao novo sócio.


Mais capitalizada, a unidade de concessões da empresa volta os interesses no Brasil também para o segmento de energia, em novos contratos de linhas de transmissão e projetos de geração de energia solar.


No Brasil, a companhia tem hoje a concessão de mais de 3 mil quilômetros de redes de transmissão de alta tensão. Seu projeto mais complexo é a construção de 1.191 quilômetros de redes de alta tensão nos Estados do Pará e Amapá na Amazônia, que sofreu atrasos. O primeiro trecho deve ser entregue no início de março e a segunda fase do linhão até maio (leia texto ao lado).


Além de concessões, o grupo espanhol atua no Brasil por meio de sua construtora – seu principal negócio em todo o mundo, ao lado dos serviços de engenharia. Executa, por exemplo, a segunda fase das obras da Linha 4-Amarela do metrô paulistano, que envolve a construção de quatro estações. O orçamento das obras é de aproximadamente R$ 640 milhões.


Em 2011, o grupo registrou em todo o mundo uma receita total de € 3,37 bilhões (R$ 9 bilhões, aproximadamente). Serviços de engenharia e construção respondem por 81%. Já as concessões em energia e transportes geram 10%. Outros negócios, 9%.

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