Em busca de caixa, Previ reduz apetite por infraestrutura

Maior fundo de pensão da América Latina, a Previ terá apetite menor para novos investimentos em infraestrutura daqui para frente. O principal plano da fundação já tem a maioria de seus participantes aposentados e buscará mais liquidez nos próximos anos, o que inclui reduzir a parcela de investimentos em renda variável. Essas diretrizes estão na política de investimentos para o período entre 2015 e 2021, aprovada em dezembro.

“O Plano 1 já é maduro. Dois terços dos participantes já recebem benefícios e nos próximos cinco a sete anos teremos praticamente quase todos aposentados”, diz Marco Geovanne, presidente em exercício da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. “Isso exige um esforço maior para pagar os benefícios.” A Previ desembolsa cerca de R$ 9,5 bilhões em aposentadorias e pensões por ano.

O plano de benefício definido (BD), chamado de Plano 1, tem patrimônio de R$ 170,3 bilhões e 11,9 mil participantes, dos quais 9,5 mil já aposentados. Já o plano de contribuição definida (CD), o Previ Futuro, tem R$ 5,5 bilhões em ativos e 6,8 mil participantes, com apenas 24 aposentados.

Marcio Hamilton Ferreira, diretor de investimentos da Previ, diz que a fundação será ainda mais seletiva do que já é para analisar oportunidades de investimento em infraestrutura. “Temos que conjugar a gestão da carteira com o fluxo de pagamento de benefícios. Pela maturidade do Plano 1, o apetite para grandes projetos diminui”, explica.

Segundo ele, a fundação vai continuar apoiando a infraestrutura do país, por meio dos investimentos que já tem no setor de energia e da participação na Vale, exemplifica. “Mas novos projetos, de forma direta, teremos que ser mais seletivos pela necessidade de liquidez”, diz.

A Previ tem participações relevantes na Invepar – que tem concessões de aeroportos, rodovias e projetos de mobilidade urbana – e na Neoenergia, companhia que, entre outros projetos, participa do consórcio da usina hidrelétrica de Belo Monte. Na Vale, a fundação detém 15% das ações da companhia, posição que tem que carregar até pelo menos 2017 pelo acordo de acionistas da empresa, do qual faz parte.

Na busca por mais liquidez, a fundação também reduzirá o percentual de aplicações em ações, que hoje respondem por 60% dos ativos do plano BD. A política de investimentos 2015-2021 prevê redução de 10 pontos percentuais ao longo desses sete anos, com consequente aumento da parcela de renda fixa.

Geovanne ressalta que esse movimento não será brusco e que vai depender da conjuntura e das oportunidades de mercado. Ele lembra que a fundação não trabalha com posições especulativas, uma vez que tem um passivo projetado até 2080. Os dividendos provenientes da renda variável respondem por cerca de 40% dos recursos destinados ao pagamento de benefícios.

A Petros, segundo maior fundo de pensão do país, também planeja mudanças em suas aplicações em renda variável em busca de mais liquidez. A fundação, que tem patrimônio de R$ 67 bilhões, estuda reduzir o volume de recursos aplicado em participações acionárias relevantes de empresas.

Além de liquidez, as fundações também buscam com essas medidas reduzir o risco de suas aplicações. Na nova política de investimentos, a Previ adotou o conceito de “fronteira eficiente”, que serve para otimizar a relação entre o risco e o retorno de uma carteira de ativos. “Tiramos uma radiografia dos investimentos e verificamos que havia um pequeno ‘gap’ em que poderíamos reduzir um pouco o retorno e diminuir muito o risco”, diz Décio Bottechia Júnior, diretor de planejamento da Previ.

A fundação vê espaço para mais aplicação em investimentos estruturados, como fundos de private equity, que poderiam subir da atual fatia de 0,8% dos ativos para 2,2% em 2021. Segundo Ferreira, também há espaço para aplicações no exterior. “Continuamos com apetite para investimentos no exterior, pois olhamos como uma boa alternativa. Mas o [atual] momento de juros e dólar alto talvez não seja o melhor para entrar em uma operação como essa”, diz. A Previ tem hoje 0,1% dos ativos aplicado lá fora, mas sua política de investimentos permite até 0,5%.

No acumulado de janeiro a setembro de 2014, último dado disponível, a rentabilidade do Plano 1 era de 6,07% no período, ante meta de 8,52%. Geovanne diz que, mesmo com um ano difícil no mercado financeiro, o plano terminaria 2014 superavitário. Até setembro, o superávit era de R$ 21,9 bilhões.

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