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Na Noruega, presidente deve reforçar interesse em acordo de livre comércio

O presidente Michel Temer desembarca hoje em Oslo, capital
da Noruega, representando duas imagens distintas: a de um país que ainda
desperta interesse de investidores nórdicos e a de um governo manchado por
denúncias de corrupção, cujas consequências podem, segundo empresários, fazer
as relações entre as duas nações retrocederem.

Outro ponto sensível na visita oficial é a questão
ambiental, área em que a Noruega é uma das principais parceiras do país e a
maior financiadora do Fundo Amazônia, administrado pelo BNDES. Dados recentes
mostraram o avanço do desmatamento no Brasil. Nesta semana, Temer teve que
vetar dispositivos aprovados pelo Congresso que reduziriam áreas de proteção
ambiental.

Noruega é a segunda e última parada de Temer na viagem por
países europeus com fins diplomáticos e com o objetivo de atrair investimentos.
Assim que chegar a Oslo, às 7h40 da manhã (horário de Brasília), procedente de
Moscou, o presidente participará de reunião com empresários locais.

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Na sexta-feira, Temer se encontrará com o rei da Noruega,
Haroldo V, com a primeira-ministra, Erna Solberg, e com o presidente do
Parlamento, Olemic Thommessen. Uma das missões será reforçar o interesse num
acordo de livre comércio entre os países do Mercosul e da Associação Europeia
de Livre Comércio (Efta), formada por Noruega, Islândia, Liechtenstein e Suíça,
o que estimularia exportações do agronegócio e indústria.

Desde 2007 um presidente brasileiro não visita oficialmente
a Noruega. Naquele ano, Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido por um grupo de
simpatizantes em frente ao Palácio Real, quando acumulava altos índices de
popularidade. Temer, que carrega elevada taxa de rejeição, confirmou a viagem
de última hora.

A crise em andamento no Brasil não é nova e acredito
que companhias norueguesas, assim como muitas outras estrangeiras, vêm tratando
o Brasil com cautela nos últimos anos. O mundo nunca viu um escândalo de
corrupção tão grande como esse, mas, pelo menos vendo de fora, parece que a
Justiça está lidando bem com ele [o escândalo] e isso dá algum conforto para
investidores estrangeiros e parceiros comerciais, disse o presidente da
Câmara de Comércio Brasil-Noruega, Harald Martinsen, em entrevista ao Valor.

Lembrando que o processo contra Temer ainda não foi
concluído, Martinsen avalia que, se o presidente for destituído, seria um
novo contratempo nas relações bilaterais incluindo o comércio e os
investimentos.

Na reunião com empresários do país nórdico, Temer deve
ressaltar o interesse em ampliar mercados, apresentar oportunidades de negócios
como as da carteira do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), além de
reafirmar o compromisso com a agenda de reformas, incluindo a alteração no
marco regulatório do setor de óleo e gás que visa estimular a entrada de
capital externo.

Uma das principais ações para elevar o comércio com o país
escandinavo, o possível acordo entre o Mercosul e a Efta teve sua primeira
rodada de negociação concluída na semana passada. Apesar de pequenos, os quatro
países europeus possuem grande poder aquisitivo e, dos US$ 2,4 bilhões
exportados pelo Brasil para o Efta no ano passado, quase 65% se concentram em
produtos manufaturados.

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