33ª Edição · Prêmio Revista Ferroviária
Vote no Prêmio RF 2026!
Faça parte do Colégio Eleitoral
Clique e Cadastre-se
revistaferroviaria.com.br

Protesto na BR-163 afeta exportação de grãos no Pará; Bunge fala em prejuízo

Os bloqueios na BR-163, no sudoeste do Pará, tornaram
“inevitável” o cancelamento de exportações de grãos pelo porto de
Barcarena, no mesmo Estado, enquanto a multinacional Bunge falou nesta
quinta-feira em “prejuízos imensuráveis” em função dos protestos que
ocorrem há dez dias na importante via do agronegócio.

A rodovia é a principal rota de escoamento da safra agrícola
do médio-norte de Mato Grosso até o terminal fluvial de Miritituba, no Pará, de
onde partem as barcaças carregadas com grãos para os demais portos do Arco
Norte, em especial o de Barcarena.

De acordo com o gerente de Economia da Associação Brasileira
das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Amaral, as operações de
carregamento de barcaças em Miritituba podem parar até sexta-feira (14), já que
o fluxo de veículos vindos do Estado vizinho é praticamente nulo, e os estoques
no terminal estão minguando. Consequentemente, o envio de produto para
Barcarena também está comprometido.

As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.

Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.

Assinar agora

“(Os cancelamentos em Barcarena) são inevitáveis. Os
prejuízos já estão acontecendo e são elevadíssimos”, afirmou Amaral à
Reuters, acrescentando que esse cenário já independe de os bloqueios na BR-163
terminarem.

“O problema é a inércia que você tem no sistema, que
não pode ter interrupções. Tem de organizar todo o fluxo rodoviário da região,
o que leva uns três, quatro, cinco dias. Depois tem o problema de abastecimento
do próprio porto. É necessário um fluxo de barcaças para isso”, comentou.

As exportações pelos dois principais portos para grãos do
Pará (Barcarena e Santarém) devem representar cerca de 10 por cento do total
que exportadores do Brasil preveem embarcar em 2017. Interrupções nos embarques
por ali devem levar as empresas a alterarem rotas para os portos do
Sul/Sudeste, gerando custos adicionais.

De acordo com o gerente da Abiove, há relatos de que
Barcarena dispõe, atualmente, de 120 mil toneladas de grãos estocados, volume
suficiente para carregar dois navios por apenas mais uma semana.

Em relação aos demais portos do Arco Norte, Amaral explicou
que a situação é menos delicada, pois esses dispõem de hidrovias alternativas
ou mesmo de ferrovias, como é o caso de São Luís (MA).

Os protestos, realizados por agricultores, comerciantes,
pecuaristas e madeireiros contrários a limites para exploração de uma reserva
ambiental, preocupam companhias que fizeram pesados investimentos nos últimos
anos nos portos do Norte, em uma tentativa de desafogar a logística de grãos,
antes concentrada nos portos do Sul/Sudeste.

 

Prejuízos

 

A Bunge Brasil, que possui instalações tanto em Miritituba
quanto em Barcarena, lamentou a situação logística no Estado.

“Sendo a rodovia a única rota de acesso ao porto de
Miritituba, seu bloqueio impacta significativamente toda a cadeia produtiva,
inclusive a programação de embarques de grãos da empresa, podendo gerar
prejuízos imensuráveis”, disse a Bunge Brasil em nota.

“O que estamos observando na BR-163 é inaceitável e é
essencial que o governo resolva o quanto antes”, destacou a multinacional
do agronegócio.

Empresas já solicitaram que a Polícia Rodoviária Federal
realize o desbloqueio da rodovia, uma ação que não vem sendo realizada
adequadamente pelas autoridades, segundo a Associação de Terminais Portuários
Privados (ATP).

A Reuters entrou em contato com tradings e empresas que têm
atividades com grãos no Pará. A Hidrovias do Brasil, que opera barcaças, e a
Cargill, que tem um terminal exportador em Santarém, por exemplo,
manifestaram-se via ATP, da qual fazem parte.

Conforme essa entidade, o prejuízo pelos problemas
logísticos em Miritituba já soma 150 milhões de reais desde o dia 3 de julho.

 

Custos

 

Já a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais calcula
em 1,5 milhão de reais as perdas diárias por causa dos problemas no Pará.

“Ainda não se têm notícias de cancelamentos de
contratos”, afirmou o diretor-geral da entidade, Sérgio Mendes, lembrando
que Miritituba pode enviar 30 mil toneladas de grãos em direção a Barcarena e
Santarém.

A entidade estima as exportações por Barcarena em 2017 em
5,1 milhão de toneladas e, por Santarém, em 3,6 milhões de toneladas.

Conforme ele, o remanejamento dos envios de cargas de Mato
Grosso para os portos do Sul e do Sudeste é mais custoso.

“Custa 50 reais a mais, por tonelada, mandar os grãos
para Santos (SP) ou Paranaguá (PR), que são portos muito mais distantes”,
concluiu.

Segundo o presidente do sindicato rural de Vera, em Mato
Grosso, Vidimar Siliprandi, os bloqueios na BR-163 já afetam o custo do frete
ao produtor da região.

“Estava entre 10 e 12 reais por saca de milho. Nesta
semana foi a 15 reais. O produtor acaba pagando, pois ele prometeu entregar a
mercadoria”, disse à Reuters.

Leia também: Bloqueio da BR-163
gera prejuízos de US$ 1,5 milhão, estima Abiove

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*