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Sob pressão para pagar o Tesouro, banco busca captação no mercado internacional

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
vai realizar encontros com agências de classificação de risco em novembro, em
Nova York, e preparar o terreno para captações de recursos no mercado
internacional. Segundo Paulo Rabello de Castro, presidente do banco, o objetivo
seria tratar das notas de classificação de risco do BNDES em escala global.

De acordo com o site do banco, a classificação de risco da
instituição, em escala global, é de “BB”, com perspectiva negativa,
na agência S&P; e de “Ba2”, com perspectiva negativa, na Moody’s.
Ambos estão nivelados aos rating dos títulos soberanos brasileiros, usados como
limitador para a nota de risco das instituições financeiras.

“Esse será um debate lento e prudente, no sentido de
postular que o banco tem condições de varar o teto soberano. Ou seja, nosso
rating solteiro, por conta própria, é descolado. Como velho classificador de
risco, posso dizer com suspeita torcida que o banco tem pelo menos três pontos
percentuais acima do rating soberano, isso para ser muito discreto”,
disse.

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A captação de recursos tornou-se mais urgente depois que o
governo federal passou a cobrar que o BNDES antecipe o pagamento de R$ 180
bilhões, quitando parte dos empréstimos que o Tesouro fez à instituição de 2009
para cá. O banco trabalha para devolver R$ 50 bilhões considerados emergenciais
pelo governo ainda neste ano.

Segundo Rabello de Castro, o banco está atualmente
“correndo” para realizar captações internacionais de recursos no
mercado internacional, o que deve ocorrer a partir do início de 2018. Ele disse
que as captações e empréstimos de entidades multilaterais estarão agora entre
as principais fontes de recursos do BNDES, logo atrás do Fundo de Amparo ao
Trabalhador (FAT).

“O que acontece é que precisamos de tempo para
escalonar essa alteração de fontes de fundos, e esse escalonamento não
necessariamente casa com a emergência governamental da regra de ouro”,
disse o presidente do banco, que fez questão de frisar que “não há
divergência alguma entre nós e a equipe do Ministério da Fazenda.”

Além do governo, o governo federal também tem pleiteado a
devolução de recursos do banco ao FAT, que passaria por um momento de
“desequilíbrio grave” com despesas de seguro-desemprego e abono. O
BNDES sinalizou, no entanto, que está em aberto buscar uma remuneração “diferente”,
que dê aos trabalhadores “excelente retorno” e ao banco
“excelente funding”.

Para o economista, esse arranjo de funding, que inclui ainda
a emissão de debêntures incentivadas, seria uma espécie de volta a 2007, quando
as principais fontes de recurso do banco eram o FAT, fundos internacionais (via
empréstimos de entidades multilaterais e captações em mercado) e captações no
mercado doméstico brasileiro.

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