O leilão de concessão das linhas 5-Lilás e 17-Ouro do Metrô
de São Paulo, marcado para esta sexta-feira, dia 19, na B3, deve atrair a
participação de um grupo restrito de empresas, com perfil voltado à operação do
serviço metroviário. Segundo especialistas, como a maioria dos grupos locais
que poderiam se interessar por esses ativos acabaram envolvidos na Lava Jato,
as apostas se concentram na CCR, que tem sinalizado vontade de participar da
disputa, e em grupos internacionais.
Como o edital prevê a concessão da operação e manutenção das
linhas, deixando de lado a responsabilidade pela construção, a licitação deverá
atrair a atenção de empresas que atuam nessa área em específico, diz Luis
Eduardo Serra Netto, sócio do Duarte Garcia Advogados. Para ocupar o vazio no
mercado deixado por grandes empresas envolvidas em corrupção (como Odebrecht e
OAS), o advogado aposta na atração de grupos internacionais para a disputa.
“Deve haver surpresas em termos de novos licitantes, de participação de
empresas que ainda não estão operando no mercado brasileiro.”
Outro aspecto que tende a reduzir o número de participantes,
e até mesmo a atratividade da licitação, é o fato de a linha 17 ter sido
incluída no pacote de concessão. O monotrilho é visto pelo mercado como um
ativo difícil: sua tecnologia é bastante discutida, e existe ainda o
entendimento de que sua operação não para de pé sozinha.
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“Não basta que o concorrente seja interessado em operar
metrô, tem de ser alguém que possa contratar gente que consiga lidar com
monotrilho”, pontua Letícia Queiroz, sócia do escritório Queiroz Maluf. A
advogada lembra que há uma dificuldade adicional de integração tecnológica da
infraestrutura com os trens – mesmo que não tenha sido encarregada de adquirir
as máquinas, a concessionária terá de ter algum tipo de interação com os poucos
fornecedores de monotrilho que estão no País.
Conforme informou a Secretaria dos Transportes
Metropolitanos (STM), quatro empresas fizeram visitas técnicas às linhas, etapa
em que interessados na licitação podem verificar a infraestrutura existente que
será assumida pela futura concessionária. São elas a CCR, a argentina Benito
Roggio (que opera o metrô de Buenos Aires), a Primav, do grupo CR Almeida, e a
espanhola CAF.
“A CAF é uma grande parceira do governo do Estado, forneceu
o último lote de trens da linha 5. Ela é fabricante, então tem alguma
familiaridade com o assunto”, comenta Serra Netto sobre a possível participação
da empresa no leilão. Já para outra fonte do mercado, faria sentido esperar que
a espanhola entre em consórcio com as empresas Benito Roggio e Primav, citadas
pela STM.
Já o Grupo CCR é forte candidato a participar da disputa,
principalmente após ter se ausentado da briga pelo trecho Norte do Rodoanel na
semana passada. Além de deter 75% do controle da ViaQuatro, concessionária da
linha 4 – Amarela do Metrô de São Paulo, a companhia atua ainda na construção e
operação de outros ativos de mobilidade urbana fora do Estado.
O leilão não deve atrair uma “mão cheia” de consórcios e
concorrentes, avalia Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral. Mas a questão não é
propriamente a atratividade, e sim o perfil das atividades propostas na
licitação. “Em uma visão mais macro, a concessão de metrô no Brasil, em cidades
com o perfil de São Paulo, terão sempre alta atratividade para potenciais
concessionários”, diz ele.
Os metroviários marcaram para esta quinta-feira uma greve de
24 horas contra a concessão das linhas 5-Lilás e 17-Ouro.
Leia Mais: CCR é nome certo na disputa por duas linhas de
metrô em São Paulo
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