Na iminência do retorno de capacidade siderúrgica paralisada
na China e com a tensão que tomou conta do mundo pela ameaça da explosão de uma
guerra comercial, o minério de ferro reverteu a tendência recente de alta.
Foram cinco dias seguidos de baixa, que derrubaram a commodity em 8% de sua
máxima do ano de US$ 79,39 a tonelada.
Só ontem, os preços do produto com teor médio de 62% de
ferro entregue no porto chinês de Qingdao caíram 3,4%, segundo a “Metal
Bulletin”, para US$ 73,23 a tonelada. Foi a maior perda diária desde
dezembro, que minou a alta acumulada até então em 2018 para 0,9%. Março
interrompe uma série de quatro meses consecutivos de avanço, com recuo de 6,8%.
O impacto chegou ao mercado de ações. Na B3, a Vale fechou
em queda de 3,24%, para R$ 41,46. Em Londres, a Rio Tinto sofreu desvalorização
de 1,32%, para 36,91 libras (US$ 51), e a BHP Billiton caiu 2,76%, para 14,04
libras.
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Para Daniel Briesemann, analista do banco Commerzbank
especializado em commodities metálicas, a confiança do mercado em geral
desandou depois que Donald Trump, presidente dos EUA, anunciou que implantaria
uma tarifa de 25% para aço e de 10% para alumínio importados no país. Ele
lembra que investidores e a agentes de mercado ligados a commodities estão se
afastando do risco.
“De qualquer maneira, o preço do minério de ferro
precisa sofrer uma correção [para baixo] porque o mercado transoceânico já está
amplamente suprido, ou melhor dizendo, com excesso de fornecimento”, disse
o analista ao Valor. “Acredito que os preços do minério vão cair para US$
60 por tonelada até o fim deste ano.”
Dia 15 é o limite imposto pelo governo chinês para que parte
da capacidade produtiva de aço na China fosse paralisada por motivos
ambientais. Desde que foi exigido o corte, as usinas passaram a comprar minério
de alta qualidade, que possibilita produzir mais aço com menos matéria-prima.
Isso ajudou a elevar o prêmio pago pelo insumo de 62% e 65% de teor.
Com mais capacidade disponível, esse interesse deve diminuir
e derrubar os preços. E já que a expectativa é que o consumo chinês de aço
desacelere neste ano – ou no máximo fique estável -, o excedente voltaria a ser
exportado, desequilibrando mais uma vez o mercado mundial. Uma restrição dos
EUA faria os chineses forçarem para baixo o preço do produto em todo o resto do
mundo.
Briesemann aposta que a concorrência mais uma vez punirá os
fundamentos do setor. A China, lembra, já voltou a elevar seu ritmo de vendas
ao mercado externo. Isso pôde ser observado em fevereiro, quando os chineses
exportaram 4,85 milhões de toneladas de produtos elaborados de aço, 4,2% a mais
do que em janeiro. Para Briesemann, o volume pode aumentar mais depois que as
restrições à capacidade acabarem no país.
A vice-presidente do Goldman Sachs especialista em
commodities, Hui Shan, por sua vez, crê na continuidade da demanda chinesa pelo
minério de maior qualidade, sustentando os preços desses produtos. Para ela, as
reformas, que desde 2015 diminuíram o parque em 200 milhões de toneladas, são
sustentáveis, mantendo a rentabilidade das usinas.
Ela também comenta, em entrevista ao Valor, que é possível
haver nova rodada de restrições ambientais neste ano. “Para nós, a demanda
continua forte no primeiro trimestre, por conta da temporada de construção
civil”, diz. “No terceiro trimestre, se o governo voltar a praticar
cortes, o preço deve subir novamente, com as empresas aumentando a demanda para
produzir o quanto puderem.”
Para além dos temores recentes de uma guerra comercial
puxada pelos Estados Unidos, a especialista acredita que os maiores fatores que
podem derrubar a cotação do minério são a perda de ritmo significativa na alta
dos investimentos em infraestrutura na China, a busca por produção de aço em
fornos elétricos – que leva sucata – e um movimento de usar os grandes estoques
de minério em portos.
– Fonte: http://www.valor.com.br/empresas/5373387/minerio-fica-perto-de-zerar-ganhos-de-2018
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menor desde 2015/16
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