UE dá aval e fusão de Suzano e Fibria fecha em janeiro

Com o aval da Comissão Europeia à consolidação entre Suzano
Papel e Celulose e Fibria, o caminho está livre para o fechamento da operação
em 14 de janeiro, ou 45 dias após a verificação de todas as condições
suspensivas, conforme previsto no contrato assinado em março. As companhias
informaram que a autoridade europeia aprovou a operação, condicionada ao
encerramento de um acordo comercial firmado em 2015 entre Fibria e Klabin para
a comercialização de até 900 mil toneladas de celulose de fibra curta por ano.
Autoridades na China, Turquia, Estados Unidos e Brasil já haviam aprovado a
transação, sem restrições.

O encerramento do contrato entre Fibria e Klabin foi a única
imposição feita por órgãos reguladores à operação, que dá origem à maior
empresa brasileira do agronegócio em valor de mercado. Com base no fechamento
de ontem na bolsa, Suzano e Fibria juntas valem R$ 83 bilhões, enquanto JBS
vale R$ 32 bilhões. Os papéis da Suzano fecharam o dia com alta de 5,96% e os
da Fibria subiram 1,67%.

As 900 mil toneladas de fibra curta da Klabin vendidas pela
Fibria no mercado internacional, exceto América do Sul, equivalem a pouco mais
de 10% da capacidade instalada total da companhia, de 7,25 milhões de
toneladas. Na avaliação de analistas, para uma empresa com capacidade produtiva
combinada de 11 milhões de toneladas e um possível plano de expansão a ser
anunciado já em 2019, o “remédio” imposto pela Comissão Europeia não
é relevante.

Para a Klabin, que já conta com uma equipe dedicada à
comercialização da matéria-prima – fluff, fibra longa e fibra curta no mercado
brasileiro e sul-americano, o encerramento do contrato não traz grande impacto.
A companhia já havia indicado à Fibria que encerraria o acordo comercial, que
teria vigência até 2022 e prevê o cancelamento sem penalidades em caso de troca
de controle, ao identificar oportunidades de venda também da fibra curta no
mercado externo.

As companhias estão aptas a seguir adiante com a finalização
da transação, prevista para 14 de janeiro

De acordo com o diretor comercial de celulose da Klabin, José
Soares, ao vender essa fibra para clientes menores e outras regiões, será
possível alcançar descontos menores, o que melhora a rentabilidade. “Os
interesses se casaram”, afirmou.

O acordo de acionistas previa que a Suzano poderia vender
até 1,1 milhão de toneladas em ativos da Fibria, ou 10% da capacidade combinada
de produção de celulose de mercado, caso houvesse imposição de venda por parte
das autoridades e ainda assim consumar o negócio.

Agora, a Suzano vai avançar no processo de listagem de ADSs
(recibos de ações) na Bolsa de Nova York, que serão usados na troca de papéis
com acionistas da Fibria. A Suzano vai pagar R$ 52,50 corrigidos pelo CDI desde
março mais 0,4611 ação de sua emissão por papel da Fibria.

Em comunicado à imprensa sobre o aval da Comissão Europeia,
o presidente da Suzano Papel e Celulose, Walter Schalka, afirmou que a operação
unirá “as melhores práticas operacionais e de sustentabilidade das duas
empresas, os maiores talentos e os mais relevantes projetos de inovação com
foco em fontes renováveis”. “Estamos prestes a transformar um sonho
em uma realização histórica para o Brasil”, afirmou o executivo. Com a
aprovação do órgão antitruste europeu, confirma a Suzano, as companhias estão
aptas a seguir adiante com a finalização da transação, prevista para 14 de
janeiro.

Juntas, Suzano e Fibria têm capacidade de produção de 11
milhões de toneladas de celulose de mercado e 1,4 milhão de toneladas de papel
por ano, com cerca de 37 mil empregados diretos e indiretos e onze fábricas. Em
12 meses até setembro, as companhias exportaram R$ 26 bilhões.

Entre janeiro e setembro, Suzano e Fibria alcançaram juntas
R$ 10,1 bilhões em geração operacional de caixa e R$ 24,5 bilhões em receita
líquida. Juntas, já investiram R$ 4,9 bilhões nos nove primeiros meses do ano,
“números que comprovam o compromisso com o desenvolvimento do
Brasil”, diz a nota. “Estamos muito motivados pelo desafio de
continuarmos nos transformando para gerar impactos ainda mais positivos para a
sociedade”, acrescentou Schalka.

  

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