Na crise, Freitas é escalado para coordenar construção de hospital de campanha

Com as incertezas provocadas pela pandemia reduzindo as perspectivas de curto prazo para novos investimentos em infraestrutura, o governo escalou o ministro da área, Tarcísio Gomes de Freitas, para coordenar a construção do primeiro hospital federal de campanha.

O empreendimento será no município goiano de Águas Lindas, região do entorno do Distrito Federal, e receberá aportes de R$ 10 milhões do orçamento do Ministério da Saúde. Contará com 200 leitos de tratamento semi-intensivo, todos equipados com respiradores pulmonares, e deve ser inaugurado em 15 dias.

Com histórico militar, o ministro tem fama de ser tocador de obras. Já havia assumido a missão de garantir a logística para a importação de equipamentos produzidos na China e distribui-los dentro do Brasil.

O governo poderá usar recursos da Força Aérea Brasileira (FAB) e até aviões cargueiros para viabilizar a entrega de produtos essenciais ao enfrentamento da pandemia, como testes para identificar quem já foi infectado pelo coronavírus, equipamentos de proteção individual (EPIs) e respiradores.

Agora, o ministro decidiu aplicar os mesmos métodos que utilizava na divulgação das obras do setor de infraestrutura para divulgar o andamento da construção do hospital de campanha.

A pasta está usando todo seu aparato de propaganda, que inclui captação de imagens por drone e postagens nas redes sociais. Estratégia semelhante foi usada pela China, para mostrar a construção de estruturas hospitalares mais robustas em tempo recorde, em menos de 15 dias.

No anúncio da construção do hospital de campanha, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, informou que o governo federal atendia ao pedido do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), o que ajudará a desafogar a demanda por leitos inclusive no Distrito Federal.

O receio do governador é que os moradores da região do entorno do DF, que trabalham em Brasília e retornam para Goiás para dormir, acabem se contaminando e tenham dificuldades de encontrar assistência hospitalar no entorno.

Caiado rompeu com o presidente Jair Bolsonaro recentemente devido a divergências em relação ao combate da pandemia, mas isso não afetou o andamento da obra. Ele é filiado ao DEM, mesmo partido do ministro da Saúde, e um dos fiadores da nomeação de Luiz Henrique Mandetta para a pasta. Mandetta chegou a afirmar, inclusive, que este hospital federal de campanha será um projeto piloto que pode ser levado para outras localidades que apresentarem alta demanda no combate à covid-19.

A pasta da Infraestrutura vai auxiliar na indicação de engenheiros para acompanhar a execução da obra. O governo de Goiás ficou responsável pela operação, oferta de maquinário hospitalar, insumos e recursos humanos.

O hospital de campanha será instalado num terreno de 10 mil metros quadrados, que recebeu o serviço de terraplanagem da prefeitura local. A estrutura incluirá refeitório e alojamento para os profissionais de saúde.

No primeiro ano do mandato do presidente Jair Bolsonaro, o ministro entregou obras de transporte e esteve à frente de leilões de concessão considerados bem sucedidos, em meio à desconfiança de investidores. Ainda havia temor de insolvência do país devido à demora na aprovação das reformas estruturantes, em especial a da Previdência.

Entre janeiro e fevereiro, o ministro prometia um ano ainda melhor para o setor do que foi 2019, ainda quando os problemas relacionados à pandemia não estavam no radar do governo, de empresários e de investidores.

Ele havia se comprometido a intensificar as entregas do programa de concessões federais, com a oferta de 44 novos ativos e a conclusão de 52 obras em 2020.

No sábado, Bolsonaro visitou as obras do hospital junto com Mandetta, Caiado e Freitas. As autoridades federais sinalizaram que o próximo pode ser construído em Manaus.

Fonte: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2020/04/13/na-crise-freitas-e-escalado-para-coordenar-construcao-de-hospital-de-campanha.ghtml

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