Valor Econômico – A extrema concorrência e a crescente demanda no setor de transporte e logística brasileiro incentivam as empresas a investir cada vez mais em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia. Em jogo, está um negócio que no ano passado, conforme o Instituto Ilos, movimentou mais de R$ 940 bilhões.
“A inovação e a transformação digital são hoje pilares fundamentais para viabilizar nossos planos estratégicos, impulsionar resultados e construir o futuro da companhia”, diz Alexandre Gama, diretor-executivo de planejamento, engenharia e tecnologia da VLI Logística. A empresa, responsável pela operação de duas das principais malhas ferroviárias do
Este trecho é parte de conteúdo que pode ser compartilhado utilizando o link https://valor.globo.com/inovacao/país — a Ferrovia Centro-Atlântica S.A. (FCA S.A.) e a Ferrovia Norte-Sul S.A. (FNS S.A.) —, que, no ano passado, obteve uma receita líquida de R$ 9,8 bilhões, lidera o ranking das empresas mais inovadoras do setor de transporte e logística do anuário Valor Inovação Brasil 2025.
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Todos os esforços de inovação da companhia são, segundo Gama, direcionados para saúde e segurança, eficiência operacional, eficiência energética e logística do futuro. A empresa aposta em tecnologias como internet das coisas (IoT), inteligência artificial (IA), machine learning, big data e analytics, além de robótica, realidade aumentada e virtual, gêmeos digitais e manufatura aditiva. “Essas soluções ampliam a eficiência das ferrovias, portos e terminais, promovem operações mais seguras, integram redes logísticas complexas e oferecem aos clientes recursos mais competitivos e sustentáveis”, diz o executivo.
Em 2024, a VLI investiu mais de R$ 90 milhões em iniciativas de pesquisa, desenvolvimento, inovação e transformação digital. Cerca de 900 colaboradores participam ativamente dos programas de inovação promovidos pela empresa, que também conta com o envolvimento de áreas estratégicas como novos negócios e engenharia de longo prazo. Desse total, 115 profissionais atuam diretamente no hub de tecnologia, inovação e logística digital.
Entre os casos de sucesso de inovação, a VLI exibe o Trato, um aplicativo de agendamento, voltado para melhorar a jornada dos caminhoneiros, criado em 2019. Hoje, o Trato é uma plataforma multifuncional, baseada em IA, com recursos como agendamento dinâmico, que organiza a chegada de caminhões aos terminais, e credenciamento inteligente, que identifica ociosidade nos terminais, ampliando sua capacidade de entrega. Cerca de 30 clientes já utilizaram os serviços do Trato, nos segmentos de açúcar, fertilizantes e grãos.
Para os próximos anos, a VLI estruturou um roadmap estratégico denominado Linha Mestra, que reúne mais de 200 projetos alinhados aos princípios da indústria 4.0, distribuídos entre diferentes horizontes de inovação.
A Localiza&Co, maior rede de aluguel de carros da América Latina (600 mil veículos e 20 mil colaboradores), que integra o time das cinco mais inovadoras do setor, também atua com propósito de transformar a experiência de mobilidade das pessoas por meio da tecnologia, comenta André Petenussi, chief technology officer da companhia. Desde dezembro de 2023, a Localiza&Co opera com seu laboratório de tecnologia e ciência de dados, o Localiza Labs, em Belo Horizonte (MG). São 1,3 mil profissionais, organizados em mais de 130 squads e 28 tribos, que se dedicam ao desenvolvimento de produtos digitais, soluções de conectividade para a frota, plataformas de aluguel e gestão de mobilidade.
Os desenvolvimentos são realizados em quatro hubs de tecnologia (Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba e Recife), com ação integrada em 18 Estados brasileiros. “Hoje, temos o maior investimento em tecnologia do setor, com apostas consistentes em telemetrias, inteligência artificial, internet das coisas e soluções digitais escaláveis”, conta Petenussi. Um exemplo é o Fast Retirada Digital, instalado em 207 agências da empresa, que permite ao cliente pegar o carro sem passar pelo balcão, de forma rápida, autônoma e 100% digital.
Para os próximos anos, informa Petenussi, a empresa deve reforçar seu pipeline de inovação. “Estamos ampliando o uso de inteligência artificial generativa, analytics e automação inteligente, com foco em produtividade, previsibilidade e novas experiências de mobilidade”, assinala.
Com receita bruta de R$ 546,7 milhões em 2024, o Porto do Açu, um complexo industrial e portuário privado, localizado em São João da Barra, no norte do Estado do Rio de Janeiro, investiu até agora mais de R$ 5 milhões em iniciativas de inovação, por meio de seu Cais Açu Lab (coletivo de ações em inovação e sustentabilidade). A agenda de soluções inovadoras conta atualmente com 115 iniciativas. Foram desenvolvidos 27 projetos de P&D e realizadas 28 provas de conceito que permitiram testar e validar novas tecnologias. O objetivo, segundo a área de comunicação da empresa, é “transformar o complexo porto-industrial em uma plataforma de inovação, promovendo eficiência e resiliência das operações portuárias, marítimas e industriais, aumentando a competitividade e contribuindo para o desenvolvimento econômico local”.
As parcerias com empresas do setor de tecnologia e os investimentos em startups têm sido fundamentais nessa estratégia de inovação no setor de transportes e logística. Em 2024, a VLI Logística manteve 42 contratos ativos com startups e mais de 700 conexões com outros parceiros do ecossistema. O grupo Elfa, provedor brasileiro de soluções e serviços de logística em saúde, com mais de 20 centros de distribuição no país, fechou acordo com a multinacional FCamara para desenvolvimento de um projeto de automação da gestão de estoques por meio da tecnologia RFID (Radio-Frequency Identification).
A expectativa da companhia é que a solução proporcione um aumento de 23% na eficiência operacional do sistema de gestão e uma otimização no ciclo de receitas, com a antecipação de 90 dias no recebimento de metade dos pedidos faturados, além de uma diminuição de até 95% em desperdícios. De acordo com Rafael Tobara, diretor de inovação e tecnologia do grupo, a busca pela eficiência operacional no setor de saúde é uma prioridade inadiável. “Estamos empolgados com os resultados iniciais, afinal a nossa necessidade de reduzir custos, otimizar reposições e aprimorar a qualidade dos serviços é incontestável”, afirma.
Para a Wilson Sons, uma das maiores operadoras integradas de serviços portuários, marítimos e de logística do país, a inovação tem sido uma aliada essencial para impulsionar os resultados, relata Eduardo Valença, diretor de transformação digital da companhia. Ele destaca entre as principais iniciativas a fundação do hub de inovação marítimo e portuário, o programa de inovação aberta, a participação no Cubo Itaú e o programa Be Digital, que, de acordo com o executivo, “fortalecem a cultura tecnológica da companhia, disseminam metodologias ágeis e aproximam os colaboradores dos desafios da transformação digital”.
Segundo Valença, essa estratégia se materializa em projetos concretos, por meio de parcerias com várias startups. Um exemplo é a colaboração com a Argonautica, startup brasileira especializada em operações portuárias e no setor de óleo e gás. A empresa desenvolveu duas ferramentas: o ArTeMIS, para monitoramento em tempo real da frota de mais de 80 rebocadores — integrando dados de tráfego marítimo e condições meteocenográficas para otimizar a operação —, e o ReDRAFT, sistema de calado dinâmico que viabilizou a entrada do MSC Orion, maior navio-contêiner a atracar no Nordeste, no terminal de Salvador.
Também está no portfólio de soluções da Wilson Sons a parceria com a startup francesa Opsima, que usa IA para prever falhas e otimizar a manutenção dos equipamentos dos terminais, e com a Speedbird Aero, operadora de drones, para o desenvolvimento de serviços inovadores de amarração e logística em embarcações fundeadas. “A colaboração com startups tem impulsionado a adoção de novas soluções tecnológicas, automação e eficiência nos terminais, tornando as operações mais ágeis e modernas nos Tecons (terminais de contêineres) de Salvador e Rio Grande e criando uma robusta agenda de descarbonização, com a utilização de biocombustíveis e eletrificação de equipamentos”, avalia Valença.
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