33ª Edição · Prêmio Revista Ferroviária
Vote no Prêmio RF 2026!
Faça parte do Colégio Eleitoral
Clique e Cadastre-se
revistaferroviaria.com.br

Linha 22-Marrom vai apostar em empreendimentos comerciais para ampliar receita

Metrô CPTM – A futura Linha 22-Marrom do Metrô de São Paulo, projetada para ligar Cotia à estação Sumaré, na Zona Oeste da capital, começa a ganhar contornos mais claros não apenas do ponto de vista técnico, mas também do modelo econômico que deverá sustentar sua implantação. A companhia acaba de lançar uma licitação para realizar o estudo mercadológico do ramal, ou seja, descobrir o potencial comercial que boa parte das estações terá.

Com 29,4 km de extensão e 19 estações previstas, o ramal teve seu projeto preliminar concluído em 2025 e deve avançar agora para a contratação do projeto básico, etapa anterior à definição do modelo de concessão e início das obras.

O traçado atende regiões densamente povoadas e com forte demanda reprimida por transporte de alta capacidade, como Cotia, Granja Viana, Rio Pequeno, Butantã e parte da Zona Oeste paulistana, até a conexão com a Linha 2-Verde em Sumaré. A estimativa é de que a linha transporte cerca de 680 mil passageiros por dia, sendo quase 400 mil novos usuários que hoje não utilizam o sistema metroferroviário.

As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.

Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.

Assinar agora

Shoppings e edifícios comerciais

Embora ainda distante da fase de obras, a nova licitação aberta pelo Metrô indica um direcionamento relevante: a Linha 22 deve ser estruturada com forte apoio em receitas não tarifárias, especialmente por meio da exploração imobiliária e comercial associada às estações.

Na prática, o governo pretende transformar o entorno das paradas em ativos econômicos. O escopo da contratação prevê a elaboração de estudos para implantação de centros comerciais integrados às estações, definição de lojas internas, além da avaliação de terrenos disponíveis para empreendimentos imobiliários, como edifícios residenciais, comerciais ou de uso misto.

Esses estudos incluem análise de mercado, perfil socioeconômico das regiões atendidas, potencial construtivo, restrições urbanísticas e ambientais, além de modelagem financeira completa dos projetos. A ideia é identificar quais usos geram maior retorno e como esses ativos  podem contribuir para viabilizar economicamente a linha.

Esse tipo de abordagem segue uma tendência recente em projetos de mobilidade, em que a tarifa deixa de ser a principal fonte de receita. Ao incorporar exploração imobiliária, o projeto se torna mais atrativo para investidores privados e reduz a dependência de aportes públicos diretos, o que sugere que a Linha 22 deve ser estruturada futuramente como uma concessão ou parceria público-privada.

Trens menores

Além do modelo econômico, o projeto também traz mudanças relevantes no padrão construtivo e operacional. Os trens estão sendo concebidos com cinco carros, em vez dos seis tradicionais, e com menor largura, permitindo túneis de cerca de 10 metros de diâmetro — aproximadamente 13% menores em área. A configuração inclui bancos laterais e possibilidade de assentos rebatíveis, priorizando a circulação interna.

As plataformas também serão mais curtas, com cerca de 110 metros, e algumas estações devem adotar elevadores de alta capacidade como principal meio de acesso, substituindo escadas rolantes em determinados pontos. A linha terá capacidade de transporte de até 37 mil passageiros por hora por sentido, com intervalos estimados em cerca de dois minutos e uma frota de 47 trens.

Apesar da redução de capacidade em relação a linhas mais antigas, o projeto busca equilibrar custos de implantação e operação com a demanda prevista, reforçando a estratégia de tornar o empreendimento financeiramente viável por meio de múltiplas fontes de receita.

Com o avanço dos estudos mercadológicos e a futura contratação do projeto básico, a Linha 22-Marrom entra em uma fase decisiva de estruturação, em que o desenho urbano e econômico do ramal passa a ser tão importante quanto sua engenharia.

Fonte: https://www.metrocptm.com.br/linha-22-marrom-vai-apostar-em-empreendimentos-associados-para-ampliar-receita/

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*