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Na logística, elas comandam de CDs a operações do metrô

Valor Econômico – Isabelle Souza Pereira, Luciana Lacerda, Larissa Fernandes e Dri Barbosa são quatro mulheres que, entre muitas outras, romperam a hegemonia masculina em dois setores tradicionalmente associados aos homens: o de logística e o de infraestrutura. Cada uma delas construiu sua trajetória profissional nesses campos superando desafios estruturais como preconceito, falta de representatividade e ambientes desfavoráveis ao desenvolvimento na carreira. Venceram limitações, transpuseram barreiras, construíram pontes e abriram caminho para outras mulheres.

Segundo um estudo do Gartner, mulheres são cerca de 40% da força de trabalho global em cadeias de suprimentos, mas têm participação bem menor em áreas operacionais, como transporte e armazenagem, abaixo de 20%.

Com mais de 25 anos de experiência no setor, Luciana Lacerda, diretora de operações da multinacional francesa ID Logistics no Brasil, diz que, ao longo dos anos, os desafios foram muitos, mesmo para ela que começou na informática, vista por anos como uma área masculina. “Sendo mulher temos sempre de provar que aquilo que falamos é relevante, mas sempre fui uma pessoa que se impôs muito nas entregas e ideias”, diz. “Meu conhecimento em traçar soluções ao longo do tempo me trouxe respeito e me levou para onde estou hoje”, diz ela, que responde pelas operações dos 72 sites da Logistics no Brasil.

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Para a executiva, o desenvolvimento de novos processos e ferramentas atraiu mais mulheres para a logística. Como Larissa Fernandes, de 28 anos, que gerencia o site da ID Logistics em Ribeirão das Neves (MG). Lá, coordena armazenamento e entrega de mercadorias para a Amazon na região. A operação envolve um galpão de 50,6 mil m2 e um time de 450 pessoas, sendo 60% mulheres. A opção pela área veio cedo. “Muito antes de me formar, fazendo o ensino médio junto com um curso técnico em administração, tive logística como uma das matérias, e naquele momento decidi que era o caminho que queria seguir. Por isso cursei engenharia de produção.”

Desafios? “Além do fato de ser mulher, sou jovem e cheguei à liderança muito cedo, ao lado de profissionais antigos, com visões e informações diferentes. Então é um processo de aceitação e superação de expectativas que construo ao longo do tempo, mas é importante encontrar empresas certas, que valorizam a diversidade feminina para termos mais espaço”, afirma Fernandes.

Isabelle Souza Pereira também entrou no segmento bem jovem, aos 18 anos, quando decidiu ser maquinista como sua mãe. Começou trabalhando na linha 5-Lilás do metrô de São Paulo e depois ingressou no Centro de Controle Operacional (CCO), como controladora de tráfego. Na Motiva, maior empresa de infraestrutura de mobilidade do país e controladora da ViaMobilidade, Isabelle é, atualmente, aos 27 anos, a primeira mulher a ocupar o cargo de supervisão do CCO das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda de trens metropolitanos da capital.

“É bem desafiador, porque ainda há quem olhe para um cargo técnico ou operacional e espere que um homem ocupe aquela posição, por isso preconceito a gente acaba sofrendo – às vezes de forma sutil, às vezes estrutural, mas o principal ponto é que as mulheres têm provado que a competência não tem gênero. Apesar de estarmos conquistando esse lugar, ainda é preciso dar mais visibilidade às mulheres”, diz Pereira. Ela destaca que seu cargo exige atributos técnicos, que a levaram a cursar neste momento engenharia elétrica, mas também inteligência emocional para tomar, rapidamente, decisões que impactam a vida de milhões de pessoas. E as mulheres, observa, têm esse perfil.

Desconstruir a narrativa de que mulheres não estão aptas para estar em alguns setores foi o desafio no começo da carreira da administradora de empresas Dri Barbosa, CEO da N5X, primeira bolsa brasileira para negociação de compra e venda de energia no mercado livre. Ela conta que sua primeira experiência em um ambiente profissional masculino foi como consultora, e isso foi muito importante porque pôde perceber a importância de se preparar tecnicamente para enfrentar qualquer discriminação.

“Quando cheguei à N5X, há três anos, já tinha sido do mercado financeiro, e-commerce, educação. Agora, no setor elétrico, vejo que, diferentemente das passagens anteriores, já existem grandes mulheres que são referência para nós. Isso é incrível, porque mostra que é possível estar neste lugar”, diz.

Fonte: https://valor.globo.com/publicacoes/especiais/mulheres-de-negocios/noticia/2026/03/31/na-logistica-elas-comandam-de-cds-a-operacoes-do-metro.ghtml

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